terça-feira, 15 de maio de 2012

As medalhas


Disputa-se esta semana uma inesperada final da Liga dos Campeões, em futebol, entre o Bayern Munique e o Chelsea, que se segue ao grande jogo da Liga Europa entre o Atlético de Madrid e o Atlético de Bilbau.
            Para além do excelente jogo de futebol entre duas equipas espanholas e de uma exibição extraordinária de Falcão, um dos melhores ponta-de-lanças mundiais, apetece-me exaltar o desportivismo com que os futebolistas encararam o resultado final.
            Os jogadores do Atlético de Bilbau bateram-se com uma galhardia incomum, porque ostentavam no peito o emblema de um clube que representa não apenas uma agremiação desportiva mas um espírito próprio de um povo com cultura e língua próprias, em compita secular com o avassalador poder castelhano, aqui representado pelo Atlético da capital espanhola. O Atlético de Bilbau mantém esse espírito através de uma estratégia assente em atletas naturais do País Basco e que, muitas vezes, rejeitam propostas aliciantes para se transferirem para outras coletividades.
            Na hora da derrota, caíram e choraram, porque perceberam o significado da vitória para o clube e para a sua terra, mas também porque quem sonha vitórias e se vê derrotado sofre danadamente, em desilusão dobrada face à vitória do adversário. Ainda sacudindo o peito em soluços, um atleta basco enxugou as lágrimas nas costas da mão, mas não resistiu ao ver erguida a taça levantada por um madridista e, de novo, não conseguiu esconder as infindáveis lágrimas.
            Passaram, desolados e chorosos, por entre as filas dos vencedores, que os consolavam. Não foram humilhados, não passaram sob o jugo. Subiram dignamente para receber as medalhas de participantes na grande final. Ninguém tirou a medalha do pescoço, ninguém a guardou num bolso, ninguém a atirou ao chão. Aceitaram-na desportivamente e, com ela ao pescoço, ainda que desencantados, aplaudiram a vitória dos seus adversários.
            Que distância vai entre esta atitude e aquela que se vê noutras ocasiões, com outras equipas e outras figuras, algumas delas portuguesas, que chegam a retirar do pescoço, um metro adiante, a medalha acabada de receber em cerimónia. E eu vi Jorge Jesus fazer isto após ganhar a Taça da Liga, em Portugal. Após ganhar. Que diferença de comportamento…
                                                             
                                             in Diário Cidade, de 15 Maio 2012

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