Disputa-se esta semana uma inesperada final da Liga dos
Campeões, em futebol, entre o Bayern Munique e o Chelsea, que se segue ao
grande jogo da Liga Europa entre o Atlético de Madrid e o Atlético de Bilbau.
Para além do
excelente jogo de futebol entre duas equipas espanholas e de uma exibição
extraordinária de Falcão, um dos melhores ponta-de-lanças mundiais, apetece-me
exaltar o desportivismo com que os futebolistas encararam o resultado final.
Os jogadores
do Atlético de Bilbau bateram-se com uma galhardia incomum, porque ostentavam
no peito o emblema de um clube que representa não apenas uma agremiação
desportiva mas um espírito próprio de um povo com cultura e língua próprias, em
compita secular com o avassalador poder castelhano, aqui representado pelo
Atlético da capital espanhola. O Atlético de Bilbau mantém esse espírito
através de uma estratégia assente em atletas naturais do País Basco e que,
muitas vezes, rejeitam propostas aliciantes para se transferirem para outras
coletividades.
Na hora da
derrota, caíram e choraram, porque perceberam o significado da vitória para o
clube e para a sua terra, mas também porque quem sonha vitórias e se vê
derrotado sofre danadamente, em desilusão dobrada face à vitória do adversário.
Ainda sacudindo o peito em soluços, um atleta basco enxugou as lágrimas nas
costas da mão, mas não resistiu ao ver erguida a taça levantada por um
madridista e, de novo, não conseguiu esconder as infindáveis lágrimas.
Passaram,
desolados e chorosos, por entre as filas dos vencedores, que os consolavam. Não
foram humilhados, não passaram sob o jugo. Subiram dignamente para receber as
medalhas de participantes na grande final. Ninguém tirou a medalha do pescoço,
ninguém a guardou num bolso, ninguém a atirou ao chão. Aceitaram-na
desportivamente e, com ela ao pescoço, ainda que desencantados, aplaudiram a
vitória dos seus adversários.
Que
distância vai entre esta atitude e aquela que se vê noutras ocasiões, com
outras equipas e outras figuras, algumas delas portuguesas, que chegam a
retirar do pescoço, um metro adiante, a medalha acabada de receber em
cerimónia. E eu vi Jorge Jesus fazer isto após ganhar a Taça da Liga, em
Portugal. Após ganhar. Que diferença de comportamento…
in Diário Cidade, de 15 Maio 2012
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