Senti-me envolvido por
uma alegria esfusiante quando me disseram que todos os partidos de oposição
regional se uniram num pacto pela democracia, “de modo a trazer para o
quotidiano regional a ética democrática e valores da Liberdade e da livre
expressão”. Para que tudo fosse magnífico, assinaram esse pacto partidos
defensores de regimes totalitários como as ditaduras do proletariado ou as
repúblicas populares que nunca respeitaram minorias e direitos individuais.
Que alegria saber que “a batalha
fundamental dos partidos deve centrar-se no funcionamento da ALRAM” e não no
contacto com os cidadãos e com as preocupações e dificuldades destes.
Que alegria quando estes partidos
todos se comprometeram a lutar pela ilegalidade e inconstitucionalidade de
algumas normas do Regimento da Assembleia e até o vão tentar alterar, apesar de
este parlamento já se submeter a este regime há sete meses e o PSD ditar
regimentos e normas parlamentares semelhantes há décadas.
Que alegria quando este pacto
defende a redução dos custos do parlamento e a revisão do Estatuto Político
Administrativo da Região, “estabelecendo um conjunto de incompatibilidades,
extinção de subsídios de reintegração e subvenções vitalícias de deputados, a
duração dos mandatos e a acumulação de reformas como propostas urgentes”. Que
alegria, porque não concebo que esta gente seja hipócrita e só defenda estas
ideias porque sabe que serão derrotadas pela maioria PSD. Que alegria, porque
acredito votarão juntinhos pela diminuição drástica do jackpot, mesmo que isso
implique diminuição de festanças e propaganda partidárias. Que alegria, porque
calculo que neste grupo não estejam deputados à espera de mais uns aninhos para
a sua subvenção vitalícia nem outros a acumular reformas com vencimentos,
quando a lei permite que se suspendam reformas. Que alegria, porque acredito
que, como se acabaram os direitos adquiridos para os restantes cidadãos, estes
representantes do povo cortarão a eito nas mordomias adquiridas por antigos
deputados, a gozarem, com bom corpo e saúde para o trabalho, subvenções e
reformas sem idade para isso.
Que alegria quando se percebe que
estes deputados pretendem acabar com incompatibilidades como a acumulação da atividade parlamentar (que proporciona imensas e privilegiadas relações com o
mundo empresarial) com a vida dos negócios. Que alegria constatar que estes
deputados não estão apenas a pensar nos que, sendo do PSD, acumulam funções de
compatibilidade duvidosa, mas em alguns deles próprios, assinantes do pacto.
Que alegria prever o fim da partidocracia e da demagogia!
Que alegria quando me disseram:
vamos para a casa da Democracia.
in Diário Cidade de 5/6/2012
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