Prosseguindo uma azáfama que lhe vem garantindo
artigos, fotografias e páginas num diário da nossa praça (crendo nas
estratégias de comunicação que prometem vitórias eleitorais à custa de
propaganda e boa circulação nos órgãos de comunicação social), os socialistas
procuram sobretudo disputar com o CDS o lugar de maior partido da oposição
regional, e o resto é conversa mal feita.
Visitando
a Calheta, disponibilizaram muitas fotografias a entregar jornais partidários à
porta das igrejas, a um passo apenas do seu interior, depois de terem criticado
negativamente, durante semanas a fio, o facto de o PSD e o CDS terem estado a
fazer o mesmo. Como o local devia ser propício, Victor Freitas pôs-se a perorar
sobre o que é de Deus e o que é de César. Desgraçadamente, foi para a porta da
igreja falar de pecados, seminários, padres e bispos em vez de falar da
política (de César), ou seja, praticou o que procurava criticar.
Mas não se ficou por aí Victor Freitas, e, (descontando
a ignorância de o sítio do PS-M noticiar que Victor Freitas anunciou o
desemprego e a imigração (sic) como os principais problemas da Região), na sua
ânsia de juntar o CDS e o PSD como culpados da situação regional, afirmou: “todos os madeirenses
(e porto-santenses) já perceberam que ele já não manda no seu próprio governo;
quem manda no Governo Regional, infelizmente para mal dos nossos pecados, são
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas e o Dr. Alberto João Jardim não mandando no
que foi eleito para mandar…”. Vejamos o que diz Victor Freitas: Pedro Passos
Coelho e Paulo Portas mandam no Governo Regional (para mal dos nossos pecados),
pelo que implicitamente quer dizer que seria bom que Jardim continuasse a
mandar. Depois critica Jardim por não mandar, quando foi eleito para o fazer,
mas há alguns dias atrás foi o Grupo Parlamentar do PS a fazer um chinfrim a
propósito de uma menção de censura, onde se garantia que o povo que elegeu
Jardim para mandar já o queria ver pelas costas. Contradição atrás de
contradições, mas não há problemas, porque certo diário da nossa praça continua
a garantir artigos, fotografias e páginas.
A visita à Calheta seguiu-se a uma visita à Assembleia da
República, onde Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS nacional ameaçou com
um projeto de lei para obrigar o Jornal da Madeira a respeitar regras
comerciais, democráticas e de competição económica. Depois de tanto se apregoar
defender a Autonomia contra o malvado governo da República, a impor regras nas
contas regionais que a oposição (todos ao molho) muito critica (e com razão),
vai-se a correr pedir ajuda ao Continente numa luta que não é apenas pela
liberdade de empresa, pois é evidente o combate cerrado entre dois jornais e
grupos económicos.
Zorrinho
esqueceu-se de dizer que o Presidente da República, a quem mais uma vez o
PS-Madeira apela no caso “Jornal da Madeira”, vetou por duas vezes uma proposta
de lei do pluralismo e da não concentração nos meios de comunicação social por o PS, com maioria absoluta, não
ter sabido criar consenso com os outros partidos na Assembleia da República.
Praticamente nada alterou, na segunda proposta, em relação à primeira, em
possível demonstração de duas hipóteses: ou não queria o PS que a proposta de
lei fosse aceite ou quis mostrar o seu poder absoluto em situação de maioria
absoluta. Contradições atrás de contradições, quando se fala do papel do Estado
na Comunicação Social, do perigo de concentração dos meios de comunicação em
grupos económicos e da liberdade de expressão e respeito pelas vozes
minoritárias.
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