O triunfo dos pobres
O líder da JSD/Madeira deve ter tido uma educação melhor do que aparenta, apesar do espalhafato malcriado com que se procura distinguir.
Embora a sua conhecida reação contra a admoestação policial, por presumivelmente andar a fazer “chichi” em lugar impróprio, possa ser entendida como um tique de “menino”mimado, até pensei que isso tinha sido uma atitude condicionada pela idade e pela viagem noturna.
As suas afirmações recentes sobre o delegado da Comissão Nacional de Eleições, ameaçando pô-lo “no meio da rua”, atestam, porém, uma ânsia de exibição política que não lhe augura um futuro promissor.
Se a velhice não é um posto, o respeito pelos mais velhos sempre fez parte das regras de boa-educação de qualquer cidadão bem formado. Não o demonstra o líder da JSD/Madeira. O delegado da Comissão Nacional de Eleições é o juiz Paulo Barreto, isso mesmo… um juiz, pessoa com formação e que desempenha importante missão na coletividade. A Comissão Nacional de Eleições é uma instituição que deve ser respeitada, tal como o seu delegado e a pessoa do juiz. Se o líder da JSD/Madeira não respeita pessoas e instituições, dificilmente se poderá dar ao respeito e fazer respeitar a instituição partidária que diz defender.
Mas começo a compreender melhor as posições do líder da JSD/Madeira: antes dele nascer, já a Comissão Nacional de Eleições era uma reconhecida instituição da democracia portuguesa e o juiz Paulo Barreto era cidadão respeitado. Antes dele nascer, outros políticos tinham conquistado notoriedade usando linguagem agressiva e desrespeitadora dos seus adversários. Se esses políticos conseguiram impor-se eacumular vitórias eleitorais, o jovem sente que deve ser esse o caminho mais fácil. Não percebe que os tempos mudaram.
Deve ter ouvido falar de um tempo em que se amedrontavam pessoas com bombas ou do tempo em que se levavam cidadãos ao aeroporto. Não percebe que os tempos mudaram.
Olha em volta e vê o exemplo dos mais velhos, dos que também chegam agora e querem agradar ao chefe a todo o custo. Mais papistas que o papa, repetem-lhe os discursos: se o chefe só fala de autonomia, as bandas convidadas não tocam o hino nacional; se o chefe vitupera um jornal, eles expulsam os seus jornalistas. Mas ninguém explica ao jovem que estes são os pobres de espírito de um tempo de mudança.
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