Acossado pela necessidade imperiosa de meios financeiros, o Presidente do Governo Regional procura reagir com os métodos do costume, mas nota-se que não vive os seus melhores dias de forma intelectual. Parece mesmo um daqueles futebolistas que ultrapassaram a idade em que as suas capacidades físicas ainda permitiam um bom desempenho e vão arrastando pelos relvados as memórias de uma antiga estrela.
Afirmar que o brutal endividamento do Governo Regional se deve à necessidade de derrotar a Esquerda pode ser verdade, mas é uma lamentável justificação.
Os governos não deveriam ter como objetivo derrotar partidos políticos adversários. Os governos deveriam preocupar-se em criar condições para que as populações possam usufruir da melhor qualidade de vida possível, sem hipotecar o futuro do território ou das gerações seguintes.
Os governos deveriam procurar a vitória do desenvolvimento equilibrado, hoje designado como desenvolvimento sustentável, e não a derrota de quem quer que seja, até porque os cidadãos de esquerda fazem parte da coletividade a quem os governos devem servir.
Os governos deveriam procurar a vitória sobre o desemprego, sobre a pobreza, sobre a injustiça, sobre a ignorância, sobre a intolerância, sobre a falta de educação, sobre a corrupção, sobre os salários baixos, sobre a falta de habitação condigna, sobre a exploração humana, sobre a doença, sobre a degradação da Natureza, sobre o desastre ecológico. Os governos devem realizar o que for humanamente possível fazer-se para que os cidadãos obtenham a sua vitória individual sobre a mediocridade
Quando o responsável por um partido há 35 anos no Poder proclama que governa para derrotar a Esquerda, quando lhe sai uma verdade destas da boca para fora, mais do que mostrar que a sua carreira ultrapassou os limites do aceitável, afirma bem alto que afinal o interesse da sua governação era defender a Direita e o seu próprio partido.
Qualquer cidadão tem o direito de perguntar, dando um soco em cima da mesa, se afinal brincam com ele aos jogos partidários. Tem o direito a indignar-se diante dos propósitos com que lhe sacam os impostos.
Perante o colapso presente e diante da hipoteca que as gerações futuras terão de pagar, querem derrotar o quê?
in Diário Cidade, de 30/9/2011
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