Jacinto Serrão cedeu. Nem foram precisas mil espadas a cercá-lo. Cedeu diante dos conspiradores do costume, que não precisaram de inventar processos novos. Nada de trágico se passou, apenas uma pobre comédia com final previsível, sem heróis.
Maximiano Martins assumiu de imediato um papel dúbio mas imperativo. Já definiu o perfil para os ocupantes da tal lista que eu referira há semanas: devem ter mérito e competência. Teoricamente estas qualidades são requeridas para os que ocupam lugares importantes, logo nada a opor. O que se questiona, para já, é a falta de humildade de alguém que, ocupando o primeiro lugar da lista, se apresenta como o mais meritório e capaz.
Não estamos a falar de competências nem méritos profissionais, que não estão em causa, mas dos mesmos atributos em política. E aqui pode questionar-se os méritos e competências políticas de cada um. Desde logo, e quando se aponta o dedo acusador às derrotas eleitorais de Jacinto Serrão, podemos perguntar quantas vitórias possui Maximiano Martins nos seus combates eleitorais, sejam internos ou externos?
Alguém pode apontar uma vitoriazinha que seja?
Impressiona o modo como Jacinto Serrão se deixa diminuir neste processo: desde logo fazem passar a ideia de que ele não era competente nem possuía mérito para liderar a lista à Assembleia Legislativa da Madeira, quando podia atirar à cara dos conjurados alguns dos melhores resultados que o PS já conseguiu e o contributo de alguns deles para os dias piores.
Passado esse primeiro momento negativo da irrupção de Maximiano Martins, e enquanto se ia aguardando pelos outros nove competentíssimos nomes, eis que, embalado pela imprensa e pelo entusiasmo, não se contenta em delimitar a lista como assume também o papel de novo líder, porque de outro modo não se entende a sua intenção de querer estabelecer (novamente) contactos com todos os partidos da oposição parlamentar.
Todos se recordam como a Plataforma (Democrática) se transformou em Unidade na Acção antes de se afundar silenciosamente. Maximiano Martins volta a querer reavivar este nado-morto da política regional?
O cabeça-de-lista do PS já definiu como objetivo retirar a maioria absoluta ao PSD e deu um sinal ao eleitorado de que não acredita na sua vitória, de que o PS não é alternativa. De facto, como poderão os eleitores, num momento tão decisivo e crítico, no que concerne à economia, considerar credível um partido que tanto poderá encontrar como parceiro o Partido Comunista ou o PND?
Se o combate político que o PS-Madeira propõe é nos campos financeiro e económico, como se pode continuar a falar de uma frente anti-PSD?
in "Diário Cidade", 28/6/11
Sem comentários:
Enviar um comentário