Os alunos do 12º Ano começaram os seus exames. Em setembro, muitos ingressarão nas diversas universidades espalhadas pelo País.
Quase todos partirão para os seus percursos universitários com as expetativas reduzidas quanto ao seu futuro profissional, mas ainda assim esperançados em que, daqui a alguns anos, a crise económica se tenha esbatido e eles próprios possam contribuir para o renascimento económico português.
Encontrarão, no entanto, as universidades envolvidas em ambientes que são reflexo da desmoralização e do a-criticismo dominantes.
Os pais assumirão despesas anuais, mas na prática o período escolar fica reduzido a metade de um ano. No primeiro semestre as aulas começarão realmente no início de Novembro. Até lá os alunos estarão envolvidos nas praxes universitárias, forma que as associações estudantis encontraram para realizar uma pretensa integração académica.
Os pais assumirão despesas anuais, mas na prática o período escolar fica reduzido a metade de um ano. No primeiro semestre as aulas começarão realmente no início de Novembro. Até lá os alunos estarão envolvidos nas praxes universitárias, forma que as associações estudantis encontraram para realizar uma pretensa integração académica.
As praxes representam, para além de um desperdício inaceitável, um ritual de submissão hierárquica dos chamados “caloiros”, que se sujeitam aos mais vis vexames, enquanto vão gritando, mesmo que a contragosto, a aceitação do seu estatuto de escravo perante um auto-nomeado senhor, seja qual for o nome que a associação académica atribua a estes indivíduos.
Nem por eufemismo se poderá entender por integração os alunos serem obrigados a se auto-nomearem com as obscenidades mais degradantes, a se apelidarem de animais, a se curvarem durante horas, enquanto se passeiam pelas ruas de uma cidade com o nariz tocando no rabo de um colega. Como poderá ser entendida por integração a bebedeira até ao coma alcoólico que muitos jovens são obrigados a tomar? Não será melhor entender isto como desintegração de si próprio?
Na prática, a praxe procura ilustrar uma relação anacrónica que os futuros “doutores” teriam com a restante sociedade: exerceriam o poder económico e político perante os que, não tendo acesso a esse mundo “superior”, cumprirão na vida o estatuto de escravos submissos.
Esse mundo acabou. Hoje o curso universitário não corresponde ao “canudo” da passagem para a classe privilegiada, no entanto, nas universidades continua-se a brincar aos poderes medievais.
Esse mundo acabou. Hoje o curso universitário não corresponde ao “canudo” da passagem para a classe privilegiada, no entanto, nas universidades continua-se a brincar aos poderes medievais.
As praxes, uma expressão de poder fascista, são a mais crua demonstração da infantilidade e da mediocridade em que está envolvido o ensino em Portugal.
Nos restantes países europeus, nas universidades trabalha-se, estuda-se, investiga-se, cria-se. Em Portugal, se na escola secundárias se brinca, na universidade faz-se farra.
Em outubro o álcool tomará conta da “latada” ou outra carunchada qualquer e em maio haverá a Queima das Fitas, a bebedeira final.
Em outubro o álcool tomará conta da “latada” ou outra carunchada qualquer e em maio haverá a Queima das Fitas, a bebedeira final.
in "Diário Cidade", de 21/6/11
Sem comentários:
Enviar um comentário