terça-feira, 11 de junho de 2024

O ÓDIO AOS JUDEUS (Parte III)

Hannah  Arendt, no Prefácio à I parte de As Origens do Totalitarismo, afirma "que a história do anti-semitismo, como a história do ódio aos judeus é parte intricante da longa e intrincada história das relações que prevaleciam entre os judeus e gentios desde o início da dispersáo judaica"  e, mais ã frente, refere: "Dois factos reais foram decisivos para a formação dos conceitos erróneos e fatídicos que ainda permeiam as versões populares da história  judaica: 1, Em parte nenhuma e em tempo nenhum depois da destruiçáo do Templo de Jerusalém (no ano 70) os judeus possuíram território próprio e Estado próprio; 2. A sua existência física dependeu sempre da protecção, embora se lhes concedesse, em várias regiões, alguns meios de autodefesa, como, por exemplo, aos judeus da França e da Alemanha até começos do século XIII o direito de usar armas. Isto não significa que os judeus nunca tiveram força, mas a verdade é que, em qualquer disputa violenta, não importa por que motivos, os judeus eram  não apenas vulneráveis mas também indefesos".

Regresso ao texto de Joel Fishman, nomeado na Parte II deste tríptico: Desde a década de 1960, a inversão da verdade e da realidade tem sido um dos métodos de propaganda mais favorecidos pelos adversários de Israel. Uma das suas expressões mais frequentes tem sido a acusação de que o povo judeu, vítima dos nazis, se tornou agora nos novos nazis, agressores e opressores dos árabes palestinianos. Observadores contemporâneos identificaram este método e descreveram-no como uma “inversão da realidade”, um “truque de confiança intelectual”, “inversão da responsabilidade moral” ou “lógica distorcida”. Como os inimigos de Israel, durante quase meio século, repetiram tais difamações sem contestação, algumas pessoas começaram a acreditar nelas (...) O investigador e filósofo francês Pierre-André Taguieff aplicou o termo “anti-semitismo absoluto” para descrever a perspectiva pós-1967 dos palestinianos. Ele escreveu que para eles, “o sionismo, então, é um novo 'nazismo' que ameaça dominar e destruir toda a espécie humana…. Assim, num contexto em que as elites ocidentais nunca se cansam de pedir que se evitem declarações 'islamofóbicas', o chefe do Centro Islâmico em Genebra, Hani Ramadan, denunciou friamente 'o genocídio que está a ser organizado contra os muçulmanos."

É digno de nota que o enredo do Ramadã é quase idêntico ao dos propagandistas nazistas. Ambos se apresentaram como alvos de uma conspiração judaica, e o resultado potencial do seu “processo lógico” – para usar a expressão de Hannah Arendt – foi o genocídio. Embora ambos tenham invertido a verdade, as suas afirmações contêm uma característica adicional que é perturbadora e perigosa: a inversão da moralidade que leva ao comportamento criminoso e à violência sem restrições".

Regressar à "Terra prometida" foi o sonho e a esperança dos judeus que sempre se sentiram discriminados, perseguidos, escorraçados e queimados "per saecula saeculorum". Em 1917, durante a I Guerra Mundial, o Ministro Britânico de Relações Exteriores emitiu  a Declaração Balfour: "O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o Povo Judeu".
O Estado de Israel resulta do movimento sionista, surgido em defesa da ideia de estabelecer um Estado judaico na Palestina. A criação do Estado de Israel foi oficializada em 14 de maio de 1948, concretizando a proposta da ONU de dividir o território da Palestina em duas nações: Israel e Palestina.
Israel tem sido obrigado a defender-se em guerras a que vários estados árabes o têm obrigado, no seu apoio aos palestinianos, que não aceitam a perspectiva da existência de dois estados (Israel e Palestina). Os líderes palestinianos  têm insistido que o seu objectivo é a destruição do Estado de Israel, deixando a este a fatalidade de lutar pela sobrevivência: matar ou morrer.

(imagem de Telavive, crédito de Jose Hernandez)

O modo como a comunicação social ocidental se tem posicionado surge na sequência da política que Moscovo ditou no seu período bolchevista, de ataque e "progroms" aos judeus nos países de Leste, e apoio aos países árabes anti-sionistas. Testemunha esta afirmação o documento que encontramos na internet (https://palmediaforum.org/wp-content/uploads/2023/09/02-Pr-Jerusalem.pdf), produzido por "Internacional Forum Palestine", por "Amigos da Palestina" e por "Vision Center for Political Development", intitulado: "Manual de política da mídia para cobrir a questão de Jerusalém", que começa com a indicação "Enfatize que a cidade de Jerusalém é a capital da Palestina, uma cidade árabe enraizada na história, ela com suas santidades islâmicas e cristãs e seus valores civis e humanos de status mundial tornaram ela um fórum para a coexistência de comunidades religiosas, por um lado, e um destino de ganância e destino para campanhas de guerra e ocupação, por outro, As gangues sionistas ocuparam o oeste de Jerusalém em 1948 durante os eventos da Nakba, então a ocupação foi estendida pela força militar para Jerusalém Oriental e foi ocupada em 1967 sem qualquer direito histórico de governar lá". Depois insiste-se na negativa: "refutar e reservar a narrativa sionista sobre a Jerusalém histórica e moderna e os locais sagrados e as reivindicações, e por outro lado, promover a presença e divulgação da historia árabe e islâmica científica confiável em torno de Jerusalém e seus lugares sagrados, sua história, sua civilização e a ocupação atual."
Embora se deva ler o texto na íntegra, para perceber como estas orientações dos amigos da Palestina tem sido aplicada por uma grande maioria da comunicação social no Ocidente e, especificamente em Portugal, no referido "Manual", retiro ainda a indicação da parcialidade que o documento propõe: "Vincular os desenvolvimentos campais, como levantes, ataques e atos de resistência palestina em Jerusalém pela realidade da ocupação, agressão e violações cometidas pela ocupação na cidade, é uma reação lógica e legítima. Além de aprofundar a base de que a luta nacional palestina não está separada da luta árabe, especificamente na questão de Jerusalém. Evitar a dependência de fontes de notícias secundárias como fontes de ocupação em relação à questão de Jerusalém, e confiar principalmente nas fontes locais da Palestina, órgãos e instituições preocupados com assuntos de Jerusalém e fontes confiáveis de informação", ou ainda esta "pérola" da tentativa de unificar a expressão, logo o pensamento: "Não usar os termos usados pela ocupação, sem esclarecimento, como (o município de Jerusalém), e colar a palavra «ocupação» às instituições do Estado ocupante e termos que refletem a «violação dos direitos humanos» em particular, tais como: (o governo de ocupação, o exército de ocupação, a polícia de ocupação, o parlamento de ocupação etc., a agressão de ocupação, os crimes de ocupação, o terrorismo de ocupação, etc.).
Ah, e que ninguém se esqueça dos nomes: que nunca se diga "Terra prometida", mas "Terra da Palestina. Não nos esqueceremos, "per saecula saeculorum".










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