sexta-feira, 7 de junho de 2024

O ÓDIO AOS JUDEUS (Parte II)

 

Joel Fishman, membro do Centro de Assuntos Públicos de Jerusalém e presidente da Fundação para a Pesquisa dos Judeus Holandeses da Universidade Hebraica de Jerusalém escreveu num artigo intitulado “A Grande Mentira e a Guerra da Comunicação Social  Contra Israel: Da Inversão da Verdade à Inversão da Realidade”:

“O historiador Jeffrey Herf descreve a intenção e a lógica da propaganda de guerra da Alemanha nazi contra os judeus: Se a simples repetição, em contextos públicos e privados, pode ser tomado como prova de fé, então parece que Hitler, Goebbels, Dietrich (Director do Gabinete de Imprensa do Reich), as suas equipas e uma quantidade indeterminada de ouvintes e leitores alemães acreditaram que uma conspiração judaica internacional foi a força motriz por trás da coligação anti-Hitler na Segunda Guerra Mundial… Eles certamente agiram como se a Solução Final fosse a punição da Alemanha nazi aos judeus, que os nazis consideravam culpados de iniciar e prolongar a II Guerra Mundial”

No seu texto, Herf deu um exemplo assustador da ligação entre propaganda e genocídio, a saber, o discurso de Hitler no Reichstag de 30 de Janeiro de 1939, que apresentou “o que tornou a narrativa nazi central do conflito que se apresentava”: “Eu quero hoje ser um profeta novamente: se as finanças internacionais judaicas dentro e fora da Europa conseguirem mergulhar as nações mais uma vez numa guerra mundial, o resultado não será a bolchevização da terra e, portanto, a vitória dos judeus, mas a aniquilação da raça judaica na Europa”.



Os nazis  no gueto de Varsóvia


O madeirense Alfredo António Maria de Castro Leal Teles de Meneses de Vasconcelos de Bettencourt de Freitas Branco, Visconde do Porto da Cruz, nazi confesso e que trabalhou na rádio alemã durante a II Guerra Mundial, ao serviço do poder que admirava, falou assim dos Judeus, no seu conto “Dolorosa realidade” (inserto no livro Contos Vividos na Guerra): 
“Quando em 1938 o III Reich alemão deliberou expulsar os judeus do seu território afirmando que constituíam uma perigosa ameaça para a paz interna e para a prosperidade da Nação, levantou-se em todo o mundo um intenso clamor contra medida de tamanha violência. Os judeus apresentam-se como “vítimas” inocentes de uma perseguição sem igual e apelavam para o sentimentalismo dos Povos cristãos  pedindo protecção e auxílio.

Não houve país que lhes não franqueasse as suas portas. Mas logo que se viam instalados os judeus “refugiados” compreendiam a conveniência de se desembaraçarem rapidamente de hóspedes tão incómodos. Foi então que seguiram para o Norte de África e para a América verdadeiros carregamentos destes foragidos”

Claro que a história deste conto mesquinho acaba com um germânico, que dera acolhimento em Bruxelas a um judeu, antes daquele partir para a guerra, deixando a sua esposa grávida, no regresso constatar que a filha que a sua espessa dera à luz “era o fiel retrato daquele judeu que ele albergara caridosamente na sua casa”.

No conto “Na Comédia dos centres d´Accueil”, onde começa por dizer que  “os aliados espalharam pelos quatro pontos cardiais, com tendenciosa má-fé, as “atrocidades” dos “nazis”, acompanhando essa campanha com vasta “documentação” fotográfica “fabricada” com o propósito de criar uma atmosfera de indignação que justificasse represálias que estavam já preparadas, embora os propaladores dessas infâmias soubessem que não informavam a verdade”, o Visconde do Porto da Cruz decide criticar, pelo contrário, as condições dos “centres d´accueil” que recebia alemães derrotados e “colaboracionistas” e depois centra-se numa personagem feminina pertencente a um casal refugiado, “que pertencia a uma família de judeus ricos que tinham fugido para França (…) Leon Blum, também judeu e milionário, era chefe do governo francês e por isso se explica o motivo das facilidades que tiveram os israelitas, conseguindo a legalização dos documentos falsificados”. Prosseguindo a narrativa, a rapariga acaba em Lisboa, onde “pede o auxílio dos judeus, pois que dada a infiltração que eles tinham feito na vida portuguesa, dispunham das influências suficientes para resolverem o problema. Logo nessa tarde, quando os barcos de guerra americanos já tinham saído a barra, compareceram nos calabouços da polícia alguns judeus. A jovem exultou de alegria. Declarou-lhes que dispunha de dinheiro bastante para satisfazer as exigências que lhe fossem postas. Um desses judeus era advogado… Assegurou as maiores facilidades e pediu uma avultada soma “para as primeiras despesas” (…) O advogado visitava-a de vez em quando para levar-lhe esperanças e exigir-lhe novas importâncias. (…) Mas um dia foi parar à polícia um político a quem a pobre rapariga contou a sua odisseia (…) O português compadeceu-se daquela jovem e sem lhe extorquir um centavo resolveu o assunto restituindo-a à liberdade, com o protesto do advogado hebraico que via assim terminar aquela rendosa “exploração”. A rapariga sofreu outros percalços e ia relatando aos “seus companheiros de infortúnio o seu curioso drama. E nos seus relatos dizia que “em Portugal os judeus são fascistas”, englobando no seu rancor pelas horas amargas que sofreu em Lisboa, por causa do advogado que era seu irmão de raça, todos os outros…”

E conclui o narrador/ comentador: “Era ingrata a judia austríaca. Mas os judeus são em regra assim. Quando estão na “mó de baixo” imploram misericórdia, apresentam-se como vítimas indefesas, prometem impossíveis… Mas logo que chegam à “mó de cima” tornam-se despóticos, esmagadores, impiedosos e maus, esquecendo o que beneficiaram e desenvolvendo a mais negra ingratidão”.

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