Joel Fishman, membro do Centro de Assuntos
Públicos de Jerusalém e presidente da Fundação para a Pesquisa dos Judeus
Holandeses da Universidade Hebraica de Jerusalém escreveu num artigo intitulado
“A Grande Mentira e a Guerra da Comunicação Social Contra Israel: Da Inversão da Verdade à
Inversão da Realidade”:
“O historiador Jeffrey Herf descreve a intenção e a lógica da
propaganda de guerra da Alemanha nazi contra os judeus: Se a simples repetição,
em contextos públicos e privados, pode ser tomado como prova de fé, então
parece que Hitler, Goebbels, Dietrich (Director do Gabinete de Imprensa do
Reich), as suas equipas e uma quantidade indeterminada de ouvintes e leitores
alemães acreditaram que uma conspiração judaica internacional foi a força
motriz por trás da coligação anti-Hitler na Segunda Guerra Mundial… Eles
certamente agiram como se a Solução Final fosse a punição da Alemanha nazi aos
judeus, que os nazis consideravam culpados de iniciar e prolongar a II Guerra
Mundial”
No seu texto, Herf deu um exemplo assustador da ligação entre propaganda
e genocídio, a saber, o discurso de Hitler no Reichstag de 30 de Janeiro de
1939, que apresentou “o que tornou a narrativa nazi central do conflito que se
apresentava”: “Eu quero hoje ser um profeta novamente: se as finanças
internacionais judaicas dentro e fora da Europa conseguirem mergulhar as nações
mais uma vez numa guerra mundial, o resultado não será a bolchevização da terra
e, portanto, a vitória dos judeus, mas a aniquilação da raça judaica na Europa”.
Não houve país que lhes não franqueasse as suas portas. Mas logo
que se viam instalados os judeus “refugiados” compreendiam a conveniência de se
desembaraçarem rapidamente de hóspedes tão incómodos. Foi então que seguiram
para o Norte de África e para a América verdadeiros carregamentos destes
foragidos”
Claro que a história deste conto mesquinho acaba com um germânico, que dera acolhimento em Bruxelas a um judeu, antes daquele partir para a
guerra, deixando a sua esposa grávida, no regresso constatar que a filha que a
sua espessa dera à luz “era o fiel retrato daquele judeu que ele albergara caridosamente
na sua casa”.
No conto “Na Comédia dos centres d´Accueil”, onde começa por
dizer que “os aliados espalharam
pelos quatro pontos cardiais, com tendenciosa má-fé, as “atrocidades” dos “nazis”,
acompanhando essa campanha com vasta “documentação” fotográfica “fabricada” com
o propósito de criar uma atmosfera de indignação que justificasse represálias
que estavam já preparadas, embora os propaladores dessas infâmias soubessem que
não informavam a verdade”, o Visconde do Porto da Cruz decide criticar, pelo
contrário, as condições dos “centres d´accueil” que recebia alemães derrotados
e “colaboracionistas” e depois centra-se numa personagem feminina pertencente a
um casal refugiado, “que pertencia a uma família de judeus ricos que tinham fugido
para França (…) Leon Blum, também judeu e milionário, era chefe do governo francês
e por isso se explica o motivo das facilidades que tiveram os israelitas,
conseguindo a legalização dos documentos falsificados”. Prosseguindo a
narrativa, a rapariga acaba em Lisboa, onde “pede o auxílio dos judeus, pois
que dada a infiltração que eles tinham feito na vida portuguesa, dispunham das
influências suficientes para resolverem o problema. Logo nessa tarde, quando os
barcos de guerra americanos já tinham saído a barra, compareceram nos
calabouços da polícia alguns judeus. A jovem exultou de alegria. Declarou-lhes
que dispunha de dinheiro bastante para satisfazer as exigências que lhe fossem
postas. Um desses judeus era advogado… Assegurou as maiores facilidades e
pediu uma avultada soma “para as primeiras despesas” (…) O advogado visitava-a
de vez em quando para levar-lhe esperanças e exigir-lhe novas importâncias. (…)
Mas um dia foi parar à polícia um político a quem a pobre rapariga contou a sua
odisseia (…) O português compadeceu-se daquela jovem e sem lhe extorquir um
centavo resolveu o assunto restituindo-a à liberdade, com o protesto do advogado
hebraico que via assim terminar aquela rendosa “exploração”. A rapariga sofreu
outros percalços e ia relatando aos “seus companheiros de infortúnio o seu
curioso drama. E nos seus relatos dizia que “em Portugal os judeus são
fascistas”, englobando no seu rancor pelas horas amargas que sofreu em Lisboa,
por causa do advogado que era seu irmão de raça, todos os outros…”
E conclui o narrador/ comentador: “Era ingrata a judia
austríaca. Mas os judeus são em regra assim. Quando estão na “mó de baixo”
imploram misericórdia, apresentam-se como vítimas indefesas, prometem
impossíveis… Mas logo que chegam à “mó de cima” tornam-se despóticos,
esmagadores, impiedosos e maus, esquecendo o que beneficiaram e desenvolvendo a
mais negra ingratidão”.

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