sábado, 23 de março de 2024



Os 180 democratas


 Imagem de gulag na Uniáo Soviética, "o farol do Comunismo" (foto do site "Tete-a-tete")

Custou muito a Augusto Santos Silva sair do Assembleia da República por ter perdido as eleições pelo círculo de Fora da Europa, onde era cabeça-de-lista. A Aliança Democrática obteve 1 deputado, com 22.470 votos, e o Chega também 1, com 17.862. O Partido Socialista, com 14.343 não elegeu ninguém.

Fez bem o ex-presidente da AR assumir, no dia 20 do corrente , a sua derrota “política e pessoal”, dizendo que ela fazia “parte do jogo democrático”. No entanto, o “Ação Socialista”, órgão oficial do Partido Socialista, referindo-se à entrevista que o seu candidato derrotado deu à SIC após a derrota, prolonga: “No ano em que o 25 de Abril faz 50 anos, Santos Silva disse preferir concentrar-se na maioria de 180 deputados que provêm de partidos democráticos do que tecer comentários sobre os resultados alcançados pela extrema-direita na última contenda eleitoral”.

Os 180 deputados são todos os que não são do Chega, logo Augusto Santos Silva denuncia aquilo que já sabíamos sobre o pensamento político do PS: o Comunismo é democrático, já que os partidos que defendem o totalitarismo vermelho (com o seu partido único), ou seja, a extrema esquerda, composta pelo PCP (disfarçado de CDU), pelo BE e pelo Livre são entendidos como democráticos e a extrema-direita não.

As afirmações de Augusto Santos Silva, a desclassificar o Chega, não respeitam afinal o “jogo democrático”, nem as pessoas que nele votaram. Fez tábua rasa principalmente das motivações de voto dos emigrantes no Brasil, cansados dos jogos de inércia e demagogia. Exemplifico: em 8/4/22, o “Observador” dava conta do mau funcionamento do consulado de São Paulo: “Os portugueses residentes no Brasil relatam dificuldades no agendamento de serviços consulares na cidade brasileira de São Paulo, sendo incapazes de utilizar o seu sistema eletrónico”. O jornal ouviu alguns lamentos, como “O português Tiago Gouveia, 40 anos, explicou que tentou entrar no site do Consulado em São Paulo para acompanhar e tentar adiantar o atendimento para um pedido de emissão de cartão cidadão e de passaporte para os seus filhos gémeos, mas sem sucesso. Especialista em Tecnologia da Informação, Gouveia disse considerar que “eles (consulado) tentam empurrar o problema para o utilizador, na verdade o que realmente parece é que o erro tem relação com o sistema deles. Derrubaram, provavelmente, de propósito o ‘site’ para não ter que atender à procura. Sinto-me totalmente desamparado pelo Governo português”, acrescentou.

 

Em 27/11/93, a CNN Portugal publicava um texto sobre a operação Agendódromo: “ A Polícia Judiciária participou em buscas em Portugal e no Brasil, num caso que investiga suspeitas de corrupção no Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro e envolve um esquema de legalização ilícita de documentos para obtenção de nacionalidade portuguesa. Cerca de 10 pessoas, portugueses e brasileiros, foram constituídas arguidas na investigação. Em comunicado, a PJ explica que os inquéritos investigam suspeitas dos crimes de corrupção passiva e ativa, participação económica em negócio, peculato, acesso ilegítimo, usurpação de funções, abuso de poder, concussão, falsificação de documentos e abuso de poder”.

Alguns dias depois, em 8/12/2023, a mesma CNN fala do caso que ainda hoje todos se recordam: Duas gémeas luso-brasileiras vieram para Portugal fazer um tratamento para a atrofia muscular espinhal, uma doença neurodegenerativa da qual padecem. Tinham começado um tratamento no Brasil com um medicamento, mas os pais queriam que as filhas recebessem um fármaco que era administrado de forma gratuita, no nosso país, e que é considerado o mais caro do mundo. O tratamento custou mais de quatro milhões de euros ao erário público e a forma célere como decorreu todo o processoque terá tido influências políticas, tornaram a história notícia”. 

Depois destes acontecimentos, alguém pensaria que o voto seria diferente? Não será mesmo necessário respeitar a vontade do povo? Não faltará muito para que de um lado esteja o povo que vota livre depois do 25 de Abril  e do outro os que não abdicam do preâmbulo constitucional votado por uma Assembleia Constituinte obrigada ao socialismo: “…  e de abrir caminho para uma sociedade socialista”.

Em 9/2/2023, o Chega e a IL propuseram, na AR, alterações ao preâmbulo da Constituição, tendo PS, PSD, BE, PCP, PAN e Livre  rejeitado essa proposta. Com essa rejeição, percebe-se tudo e tornam-se mais que justificadas as palavras de André Ventura, a propósito da não eleição de Augusto Santos Silva, por causa dos votos no Chega:  “É o símbolo da vitória do Chega sobre o sistema socialista”.

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