Os 180 democratas
Custou muito a Augusto
Santos Silva sair do Assembleia da República por ter perdido as eleições pelo
círculo de Fora da Europa, onde era cabeça-de-lista. A Aliança Democrática obteve
1 deputado, com 22.470 votos, e o Chega também 1, com 17.862. O Partido
Socialista, com 14.343 não elegeu ninguém.
Fez bem o ex-presidente
da AR assumir, no dia 20 do corrente , a sua derrota “política e pessoal”, dizendo que
ela fazia “parte do jogo democrático”. No entanto, o “Ação Socialista”, órgão
oficial do Partido Socialista, referindo-se à entrevista que o seu candidato
derrotado deu à SIC após a derrota, prolonga: “No ano em que o 25 de Abril faz
50 anos, Santos Silva disse preferir concentrar-se na maioria de 180 deputados
que provêm de partidos democráticos do que tecer comentários sobre os
resultados alcançados pela extrema-direita na última contenda eleitoral”.
Os 180 deputados são
todos os que não são do Chega, logo Augusto Santos Silva denuncia aquilo que já
sabíamos sobre o pensamento político do PS: o Comunismo é democrático, já que
os partidos que defendem o totalitarismo vermelho (com o seu partido único), ou
seja, a extrema esquerda, composta pelo PCP (disfarçado de CDU), pelo BE e pelo
Livre são entendidos como democráticos e a extrema-direita não.
As afirmações de Augusto Santos Silva,
a desclassificar o Chega, não respeitam afinal o “jogo democrático”, nem as pessoas
que nele votaram. Fez tábua rasa principalmente das motivações de voto dos
emigrantes no Brasil, cansados dos jogos de inércia e demagogia. Exemplifico: em
8/4/22, o “Observador” dava conta do mau funcionamento do consulado de São
Paulo: “Os portugueses residentes no Brasil relatam dificuldades no agendamento
de serviços consulares na cidade brasileira de São Paulo, sendo incapazes de
utilizar o seu sistema eletrónico”. O jornal ouviu alguns lamentos, como “O
português Tiago Gouveia, 40 anos, explicou que tentou entrar no site do
Consulado em São Paulo para acompanhar e tentar adiantar o atendimento para um
pedido de emissão de cartão cidadão e de passaporte para os seus filhos gémeos,
mas sem sucesso. Especialista em Tecnologia da Informação, Gouveia disse
considerar que “eles (consulado) tentam empurrar o problema para o utilizador,
na verdade o que realmente parece é que o erro tem relação com o sistema deles.
Derrubaram, provavelmente, de propósito o ‘site’ para não ter que atender à
procura. Sinto-me totalmente desamparado pelo Governo
português”, acrescentou.
Em 27/11/93, a CNN Portugal
publicava um texto sobre a operação Agendódromo: “ A
Polícia Judiciária participou em buscas em Portugal e no Brasil, num caso que
investiga suspeitas de corrupção no Consulado-Geral de Portugal no Rio de
Janeiro e envolve um esquema de legalização ilícita de documentos para obtenção
de nacionalidade portuguesa. Cerca de 10 pessoas, portugueses e
brasileiros, foram constituídas arguidas na investigação. Em comunicado, a PJ explica que os inquéritos investigam
suspeitas dos crimes de corrupção passiva e ativa, participação económica em
negócio, peculato, acesso ilegítimo, usurpação de funções, abuso de poder,
concussão, falsificação de documentos e abuso de poder”.
Alguns dias depois, em 8/12/2023, a mesma CNN fala do caso que ainda hoje todos se
recordam: “Duas gémeas luso-brasileiras vieram para Portugal fazer um
tratamento para a atrofia muscular espinhal, uma doença neurodegenerativa da qual padecem. Tinham começado um
tratamento no Brasil com um medicamento, mas os pais queriam que as filhas
recebessem um fármaco que era administrado de forma gratuita, no nosso país, e
que é considerado o mais caro do mundo. O tratamento custou mais de quatro
milhões de euros ao erário público e a forma célere como decorreu todo o
processo, que terá tido influências políticas, tornaram a história
notícia”.
Depois destes acontecimentos, alguém pensaria que o
voto seria diferente? Não será mesmo necessário respeitar a vontade do povo?
Não faltará muito para que de um lado esteja o povo que vota livre depois do 25
de Abril e do outro os que não abdicam
do preâmbulo constitucional votado por uma Assembleia Constituinte obrigada ao
socialismo: “… e de abrir caminho para
uma sociedade socialista”.

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