segunda-feira, 11 de março de 2024

São cravos ainda, não rosas


O CHEGA conseguiu um deputado pela RA Madeira nas eleições de ontem, enquanto o PS passou de 3 para 2. Estes foram os vencedores e perdedores na nossa região.

Comparativamente às eleições legislativas de há dois anos, o CHEGA passa de 6,08% para 17,56%. Por seu turno, o PS desliza de 31,47% para 19,84%, ou seja, são quase equivalentes os números da subida do CHEGA e da descida socialista, em percentagem, mas se olharmos para os votos entrados nas urnas, impressiona que o CHEGA tenha passado de 7.227 para 26.296, ganhando 19.069, enquanto o  PS perdeu 10.281 votantes, passando de 40,004 para 29.723. Mais nenhum partido perdeu número significativo de votantes além do PS, pelo que os restantes votos a mais do CHEGA vieram de ex-abstencionistas e de novos votantes.

O CHEGA atinge 18,06% e passa a ser decisivo para o futuro do país, apesar da generalidade dos discursos ouvidos na comunicação social, pela voz dos políticos dos restantes partidos, dos comentadores e dos bem-pensantes da "ocidental praia lusitana". Estranha-se que, apesar de 1.108.764 votos neste partido (muito mais que um milhão) se continue a ouvir, após as eleições, as mesmas pessoas a vilipendiar e a procurar ostracizar este partido e a argumentar, veja-se bem, que o cravo do 25 de Abril murchou no seu cinquentenário, quando uma das maiores virtudes do 25 de Abril foi ter permitido dar voz e expressão a todos os portugueses.

Olhemos para as televisões e para jornalistas e comentadores que aí debitam opinião e a ideologia que os enforma. Desviemos depois o olhar para os números da recente votação: se juntarmos todos os partidos à esquerda do PS (BE 274.011 + CDU 202.565 + LIVRE 198.890 + PTP 2.498 + PCTP 14.748) dá apenas 692.712. Se ainda incluirmos os 118.574 do PAN, o total passa para 811.286, ainda assim a 297.478 dos votantes no CHEGA. Onde estão estes votantes representados na comunicação social?

O CHEGA é da extrema-direita (também já li e ouvi quem a este partido junte a IL)? Qual é o problema, se nenhum anátema se difunde contra a extrema-esquerda, se o problema é de extremismos e radicalismos? Vem de longe, meus senhores, do século XIX, a ideia de que o pensamento marxista e socialista é eticamente superior às ideologias liberais e capitalistas. Da mesma base socialista nasceram o comunismo e o nacional-socialismo que se confrontaram ao longo de todo o século XX e continua a produzir a ideologia predominante nas universidades. Gramsci dixit!

Atacar o CHEGA e aceitar bondosamente o PCP, o BE e tutti quanti dessa área faz algum sentido? Olhai para o Alentejo. O "bom povo" que desfraldava com José Afonso o seu hino (Se eu fosse carpinteiro/ Casava com uma ceifeira/ Juntava a foice ao martelo/ Fazia a nossa bandeira) passa agora a "povo fascista"?



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