Em A curva dos dias, onde refiro, ano por ano, um facto significativo da minha
vida, evidencio, no texto "2013, Libertação", a minha desvinculação do Partido
Socialista. partido ao qual aderi em 1996.
Na carta que enviei ao Secretariado do PS-Madeira, afirmava, conforme citei no meu livro: "Quero frisar que esta
decisão não se deve a nenhuma divergência com os órgãos dirigentes, mas, e volto
a sublinhar, a diferenças ideológicas decisivas relacionadas com a filosofia, o
programa e os princípios do Partido Socialista". Mais à frente, definia bem o
lugar onde me posicionava: "... não estou disponível para lutar pelo Socialismo
nem por ideologias defensoras do intervencionismo estatal".
Apesar de ter dado a
conhecer publicamente, logo depois, através da rede social que utilizo, o
"Facebook", o conteúdo da carta, continuo a ser visto por alguns como um
"camarada", o que, vindo de certas pessoas, entendo como aceitável, até pelo
facto de, apanhando-me a Revolução do 25 de Abril de 1974 com 17 anos, eu
procurei, então, ligar-me ao partido mais à esquerda que houvesse na ilha.
Ingressei na União do Povo da Madeira, cuja maioria dos militantes passou à UDP
e, pouco depois à Frente Eleitoral Comunista (Marxista Leninista). No final de
1975, porque li Estaline e depois o que se dizia sobre ele, abandonei a
extrema-esquerda, nunca tendo deixado de me pensar à esquerda da política e
próximo do socialismo democrático que norteia o PS, até 2011.

domingo, 26 de novembro de 2023
OS CAMARADAS
Esse passado distante e as
vivências mais próximas da minha demissão deste partido dificultaram a compreensão
do meu novo posicionamento ideológico, de tal modo que os desatentos ainda hoje
entendem que me afastei por o PS não ser verdadeiramente socialista - e costumam
alcunhá-lo como "bengala" do PSD. No entanto, outros existem, mais entendidos,
que me atribuem um dos dois "pecados capitais": o de ser neo-liberal ou de me
ter tornado um fascista, títulos com que comunistas, e, por concomi(li)tância,
os socialistas costumam difamar os seus adversários à direita, já que o epíteto
de burgueses já se gastou, de tanto uso, ou prática, sabe-se, entre os
dirigentes comunistas e socialistas.
Evidentemente, não quero apagar o meu
passado - cada um dos seus recantos ou escombros me pertence integralmente -,
lamentando, no entanto, que só a crise económico-financeira do último governo de
Sócrates me tivesse obrigado a pensar profundamente nas lastimosas consequências
do pensamento socialista, veneno que se engole velado em ideais de bem-estar e
mundos novos, de admiráveis que eles são.
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