segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A liberdade

 A liberdade é uma exigência da auto-estima. Só ela nos permite trilhar um caminho que nos conduza à felicidade, o objectivo da vida.

 (fotografia de um gulag soviético, retirado do blogue "A Terceira Noite", de Rui Bebiano)

O único dever de cada pessoa é comprometer-se consigo mesma, numa exigência de permanente respeito por si própria, sem submissão a interesses terceiros ou segundos, sejam eles os interesses dos poderosos ou dos miseráveis, dos senhores das túnicas, das igrejas ou das cortes, dos senhores das fardas ou dos aventais, dos ministros ou dos que pretendem sê-lo, das ideologias ou dos livros sagrados, das classes sociais e de todos os líderes de grupo, que buscam massificar para melhor dirigir os indivíduos tornado "massa", como diria Gasset.

Quem cresceu submetido à ausência de liberdade, aqueles que no próprio lar aprendiam a submeter-se ao pensamento dos mais poderosos - os pais e as mães - que também assim tinham aprendido dos seus antecessores, ouvindo, sofrendo, calando, confundindo temor e respeito, aqueles que na escola sofriam ou viam castigos e humilhações diárias, aqueles que descalços, em caminhos de pedra ou lama, se dirigiam para as escolas, aqueles que começaram a trabalhar aos onze anos, a troco de uma côdea e umas chapadas de aprendiz, que só sonhavam a maioridade para se libertar do jugo, esses viveram o 25 de Abril como se um milagre tivesse acontecido nas suas vidas sem objectivo além da fuga.

Todos os que viveram essa data, perceberam, depois, a importância do 25 de Novembro, sem o qual, muito provavelmente, esses que sonharam a sua própria liberdade, cada um a sua liberdade, repito, cairiam numa vivência ainda menos livre, submetidos, já adultos, à iníqua opressão dos revolucionários comunistas, onde nenhum objectivo individual poderia subsistir, nem sequer a fuga.

 


Sem comentários:

Enviar um comentário