Parece mentira, mas aparecem outra vez umas notáveis figuras a inventar derrotas do PSD após a vitória eleitoral de ontem, muito tempo depois de Jardim ter dito que, para a sua organização, ver eleitos 24 deputados seria suficiente para festejar.
Entendo que os que lutam por ideais só se sentem derrotados no ato de desistência, mas daí até à desvalorização dos vencedores vai uma grande distância. Digam, em abono da verdade, que procuram desviar as atenções e apagar rapidamente o conjunto de erros cometidos; digam que continuam a acreditar que o povo tem memória curta…
O PSD ganhou as eleições de 9 de Outubro e continuará a sua caminhada “prà frente”, ainda que ninguém preveja o destino. O CDS obteve um excelente resultado eleitoral porque deu objetivamente garantias ao eleitorado de que o pós-jardinismo seria realizado sem convulsões, sem clivagens, sem choques.
O PTP, ou o partido do Coelho, como é conhecido pelo povo, foi o terceiro vencedor destas eleições, ao alcançar três deputados: mais uma chicotada num conjunto de políticos e opinadores absolutamente ignorantes, ainda que sentados num pedestal de bazófia. E aqui entramos no vasto leque de derrotados, de que se salvam o PAN e o MPT que, pela sua dimensão e significado, me absterei de comentar num texto fatalmente marcado pelo espaço disponível. PS, CDU, BE foram quase desprezados pelos eleitores. No seu conjunto, esta esquerda vale apenas 17%.
O PND, apesar de não ter cantado vitória, manteve o seu deputado, que tinha sido anteriormente conquistado pela popularidade de José Manuel Coelho. Não cresceu como desejava, mas ter perdido a sua referência e manter o lugar no parlamento não se compara com a derrota sofrida pela esquerda.
PS, CDU e BE podem considerar-se os partidos de Abril e sofrem agora a desilusão dos que deixaram de acreditar nas potencialidades desses momentos revolucionários e também das gerações que, crescendo em liberdade, nada mais encontram hoje que desemprego e depressão. A esquerda precisa mesmo de reinventar-se e, sobretudo, de deixar de entender o Estado como centro da vida social.
O Partido Socialista parecia ter atingido o fundo, mas caiu ainda mais, fruto estragado de muitos erros e confusões, mas sobretudo como resultado de um veneno destilado por gente (dentro e fora do partido) que de há muito entendeu denegrir presidentes e direções, para benefício pessoal e de pedantes que, aparentando credibilidade superior, são autênticas nulidades políticas, interessadas em salvaguardar interesses bem afastados do ideal socialista.
O PS-Madeira sofreu ainda da doença do costume: colocar-se de cócoras perante o Largo do Rato, permitindo que cada liderança nacional se afirme e cresça à conta destes ilhéus. Qual a contrapartida? Experimentem os leitores ir tomar café ao Aeroporto na hora da chegada de um alto dirigente socialista à Madeira e observem a figura dos putativos notáveis que, ainda que não pertençam às direções partidárias, correm ao beija-mão.
in "Diário Cidade", de 11/10/2011
Concordo em absoluto com a tua analise, caro Agostinho!
ResponderEliminarCheguei aqui ao teu espaço (blog) nem sei como, mas agora não o vou largar.
Abraço e cuidado com as víboras!!!
Ricardo