Sendo, na sua base, uma atividade nobre, a política atraiu, ao longo da História, alguns dos melhores homens, em diversas civilizações, mas albergou tão mesquinhos interesses e tantos monstros de desumanidade que muitos homens tendem a ver nela um espaço de degradação, principalmente dos que usam e beneficiam do poder.
A afirmação de John E. E. Dalberg Acton, de que “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” tornou-se uma banalidade após a confirmação de tantos casos em diversos lugares e tempos, mas a política é também a experiência que permite aos homens caminharem para as suas utopias, realizando entretanto espaços de cidadania e de afirmação do ser humano, seja qual for a sua ascendência social.
A prática democrática herdada da Antiga Grécia tem evoluído para a universalidade da cidadania, atribuindo-se a cada pessoa o mesmo direito de participação na vida política. Se nesses tempos clássicos os direitos de cidadania eram escalonados em função da classe social de cada um, hoje só uma inação ancorada em preconceitos ou em ancestrais submissões impede a participação alargada dos cidadãos na vida política, nas democracias ocidentais.
Por causa do voto universal, os políticos precisam de conhecer diversas linguagens. Já não se trata de falar eloquentemente para interlocutores da mesma classe social, mas de comunicar com todos. Não é suficiente dominar a arte oratória nem os preceitos do tribuno demagogo, mas conseguir, acima de tudo, compreender as motivações e os anseios dos que param para ouvir uma palavra ou perceber um sinal.
Em período de campanha eleitoral, os partidos, percebendo a dificuldade de emissão de mensagens multifacetadas e tendencialmente fragmentadas, usam uma série de métodos e técnicas para ganhar o voto dos eleitores: contratam especialistas em imagem, assessores de comunicação, especialistas no contacto com a imprensa, técnicos de publicidade, para além de músicos, cantores, palhaços e outros artistas. Todos são poucos para que a mensagem atinja o destinatário e o voto se conquiste.
Tende-se a transformar a participação democrática do cidadão em mais um mero ato de escolha de um produto de consumo. A própria divulgação de sondagens ou dos manipulados estudos de opinião tende até a condicionar, pela previsível inutilidade do voto real, os resultados pretendidos.
Quando tanto se discute a abstenção, entenda-se que as pessoas sabem perfeitamente o que da política lhes interessa: a sua relação com o poder; o modo como este domina o quotidiano e os espaços livres que permite.
Nestes dias, quem pretende aceder ao poder tem de perceber os anseios e os temores da comunidade e, acima de tudo, substituir a arte da manipulação pela semiótica.
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