quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pela ética democrática, contra o maquiavelismo

PELA ÉTICA DEMOCRÁTICA, CONTRA O MAQUIAVELISMO
Aos camaradas da Comissão Política do PS-Madeira
Os resultados eleitorais do último domingo são absolutamente catastróficos para o PS-Madeira e aqueles que tudo fizeram para a concretização da solução apresentada ao eleitorado não podem, de maneira nenhuma, deixar de assumir as suas imensas responsabilidades na maior derrota eleitoral da história do nosso partido, seja qual for o plano em que seja analisada.
            Os resultados eleitorais de 9 de Outubro resultam do esforço obscuro de algumas pessoas, que, unidas por um fio condutor no interior e no exterior do partido, usaram de todos os meios para denegrir, enxovalhar e desqualificar a direcção eleita e o próprio presidente do partido, levando a que este cedesse perante a iminência de ver o PS-Madeira esfrangalhado na praça pública.
            A táctica de assalto ao poder interno falhou, com resultados arrasadores para o partido, mas, mais importante ainda, para a hipótese de alternativa a oferecer aos madeirenses e porto-santenses. Desqualificaram-se dirigentes e militantes para que surgisse um conjunto de pessoas a aparentar uma credibilidade superior, mas a esconder que se interessam sobretudo em salvaguardar interesses bem distantes dos ideais socialistas.
            Para além da táctica, faltou a estratégia de grupo apresentada aos eleitores, numa sequência de erros que só pode ser imputada a autênticas nulidades políticas. O principal erro foi ter afastado premeditadamente os militantes de todo o processo, desvalorizando o partido, como se este fosse apenas um trampolim para um lugar mais alto e menos conspurcado pelas mãos calosas e húmidas do povo. Esta distância marcou todas as falhas consequentes, desde as estratégias discursivas até à mais inócua campanha eleitoral de que há memória entre nós. Aparecemos perante os eleitores como cassandras anunciadoras da desgraça ou até como aves de rapina ávidas de austeridade.
            Os resultados eleitorais de Machico ou do Porto Moniz, onde o PS-Madeira segurou o segundo lugar e manteve razoavelmente o seu eleitorado mostrou claramente que é com pessoas como Avelino da Conceição e Emanuel Câmara e outros militantes em contacto directo com as carências, anseios e sensibilidade das gentes das suas terras que o PS-Madeira se pode credibilizar. Estes são exemplos dos verdadeiramente credíveis para o eleitorado e será, de facto, pelo respeito para com as concelhias e os autarcas que o nosso partido se pode reerguer.
            Basta, caros camaradas. Basta de demagogias, discursos redondos e voltinhas de enganar o povo. É tempo de nos virarmos para as pessoas que lá fora se cansaram até à náusea das nossas guerras de poder. Basta de falarmos em nome do povo para tratarmos dos nossos interesses! Dizia António Sérgio, um dos grandes precursores do socialismo no nosso país, que “o maior crime para o democrata é o de tratar o próximo como um simples meio, não um fim”.
            Estamos a viver em permanente clima de maquiavelismo, de jogos que nos rebaixam a todos, trocando ideais por manigâncias. O Partido Socialista precisa de recuperar a ética de comportamentos. Temos assistido aos piores exemplos dos artifícios de mesquinha astúcia, desde o se dependurarem dirigentes nos pelourinhos, até se reclamar da sua sanidade mental para que sejam afastados e se torne o caminho livre para outros; desde a manutenção do poder pretensamente eterno pelo esvaziamento do espaço, até ao mais banal fingimento de que exigimos poder para o nosso concelho ou para a nossa freguesia, desde que esse representante sejamos nós, porque, se for outro, significa falta de respeito pelo “trabalho insano e descomprometido”, com consequentes demissões e outras aldrabices de carácter.
            Vamos reinventar um partido de ideais socialistas. Vamos erguer bem alto o pendão onde se inscrevem os ideais da democracia, da liberdade e da justiça social, em nome do respeito pelo mais alto valor da dignidade humana. Sejamos intransigentes para com as maquiavélicas figuras e respeitemo-nos a nós próprios, porque tenho a certeza de que ainda podemos contar com muitos que mantêm a ingenuidade, a rectidão, a sinceridade e a verdadeira ética democrática. Acredito que não será preciso ainda subir à montanha para encontrar um homem de verdade. Olhemos para os militantes anónimos que, a troco de nada, oferecem o seu entusiasmo e crença em cada campanha e em cada actividade. Olhemos para os nossos militantes que, afastados dos salões de poder, oferecem a sua disponibilidade para manter, em cada concelho, em cada freguesia, em cada lugar, o fulgor combativo por um mundo melhor.
            Há formas práticas de concretizar os princípios éticos e o ideal socialista no interior do nosso partido. Quero participar nesta mudança. Apresentarei muito brevemente as linhas da proposta em que acredito. Podem contar com a minha disponibilidade em contribuir para uma solução que transforme o nosso partido, não num grupo de sequiosos pretendentes aos benefícios do poder, mas num conjunto de cidadãos respeitados e credíveis na defesa dos ideais superiores da Democracia, da Liberdade e da Justiça Social.
                                                             Funchal, 11 de Outubro de 2011
                                                                                   Agostinho Soares
        
        

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