Começou no passado domingo a campanha eleitoral, embora o período anterior deva ser considerado como o mais importante, no que respeita ao contacto com os eleitores e a algum esclarecimento. A partir de agora, pouco mais teremos que ruído.
O momento forte do período pré-eleitoral correspondeu à denúncia da ocultação de dados sobre a dívida da Madeira. A partir daí, temos o tempo do decréscimo de intensidade das motivações partidárias, ainda que os aparelhos dos partidos sejam chamados agora ao trabalho mais visível.
Só o anúncio, antes das eleições, de mais medidas de austeridade aplicadas sobre os Madeirenses provocaria ondas de choque tão fortes como a descoberta do buraco financeiro. No entanto estamos tão habituados a que estas situações sejam tratadas de acordo com os interesses das forças políticas dominantes, que não acreditamos na disponibilização dessa informação aos eleitores.
Não me parece atinado andarmos para aqui a falar de quem mais deve ou do que os Madeirenses pagam e não lhes diz respeito. Este não é o problema principal, porque devemos estar mais preocupados em discutir o modo de sair desta dificuldade com os menores custos possíveis para cada cidadão. Por isso, volto a falar do Imposto Extraordinário sobre o Subsídio de Natal: a verba obtida do esforço dos Madeirenses deverá ficar na Madeira, cumprindo-se assim o legislado de que os impostos cobrados na Região a esta ficam consignados. Deste modo, nem os Madeirenses se queixariam das dívidas das empresas públicas sediadas no Continente, nem os continentais se queixariam de pagar o “enriquecimento” dos ilhéus.
A cobrança deste imposto não será suficiente? Pois não, mas vêm aí aumentos do IVA, fim das deduções em sede de IRS e outras alcavalas, cujas receitas pertencem à Região.
Não basta ainda? Então escolhamos todos um bom governo e criemos condições para que a Assembleia Legislativa da Madeira possa, de facto, fiscalizar planos, atos e contas do poder executivo.
No primeiro dia da campanha, algumas centenas de pessoas mostraram indignação pela situação a que chegou a Madeira. Saúde-se a afirmação de cidadania, mas percebamos que é preciso mais alguma coisa. A 9 de Outubro, seremos todos responsáveis.
in "Diário Cidade", de 27/9/2011
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