quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Conforme o vento

Isto anda conforme o vento, ou os cataventos.
Vou deixar as minhas criticas para depois do acto eleitoral, mas alerto para que o caminho não augura nada de bom. As vozes críticas aumentam e não haverá desculpas (a conversa de batotas ou outras coisas que tais) se o resultado não for consentâneo com a apresentação de uma equipa de governo.

Ridículo

Comento aquilo que alguns consideram o assunto do momento com uma única palavra: RIDÍCULO!

Mais um

Mais um estudo de leitura de jornais no Funchal (11horas - Sé- Teatro Municipal-Sé) 28/9:

Jornal da Madeira:   11 pessoas
Diário Cidade      :     3 pessoas
Diário de Notícias:    2 pessoas

Novo estudo sobre a informação

Observação desta manhã, 8h50 - 9 horas:

Jornal da Madeira:    12 pessoas
Diário Cidade      :      3 pessoas
Diário de Notícias:     1 pessoa
A Bola:                 :     1 pessoa

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Estudo de recepção de informação

Porque há muita gente armada agora em sábia na área da comunicação política, gente que se muniu de dois ou três manuais de sociologia e quatro livrinhos de política e sete páginas de psicologia dos eleitores, mas nunca acamaradou com o povo nem percebe nada do que anda a vender, vou ajudar algumas pessoas a perceberem o meio onde estão, para que, na noite eleitoral não desatem a culpar o povo de não ter percebido a "douta sabedoria".

Num percurso de duzentos metros, na baixa citadina, olhei os jornais que as pessoas liam ou levavam na mão, deslocando-se para o trabalho, pouco antes das 9 horas:

Jornal da Madeira - 9 pessoas
Diário Cidade       - 3 pessoas
A Bola                   - 1 pessoa

Pelas 11 horas da manhã seguinte, no percurso entre o Apolo e o Teatro Municipal, voltei a estar atento, olhando agora para o que as pessoas liam nas esplanadas, também:

Jornal da Madeira - 4 pessoas
Diário de Notícias - 4 pessoas
Diário Cidade        - 2 pessoas
A Bola                   - 1 pessoa
O Jogo                   - 1 pessoa

Isto é, repito, na baixa do Funchal.
Continuarei estes estudos nos próximos dias.

Responsabilidade coletiva


                Começou no passado domingo a campanha eleitoral, embora o período anterior deva ser considerado como o mais importante, no que respeita ao contacto com os eleitores e a algum esclarecimento. A partir de agora, pouco mais teremos que ruído.
            O momento forte do período pré-eleitoral correspondeu à denúncia da ocultação de dados sobre a dívida da Madeira. A partir daí, temos o tempo do decréscimo de intensidade das motivações partidárias, ainda que os aparelhos dos partidos sejam chamados agora ao trabalho mais visível.
            Só o anúncio, antes das eleições, de mais medidas de austeridade aplicadas sobre os Madeirenses provocaria ondas de choque tão fortes como a descoberta do buraco financeiro. No entanto estamos tão habituados a que estas situações sejam tratadas de acordo com os interesses das forças políticas dominantes, que não acreditamos na disponibilização dessa informação aos eleitores.
            Não me parece atinado andarmos para aqui a falar de quem mais deve ou do que os Madeirenses pagam e não lhes diz respeito. Este não é o problema principal, porque devemos estar mais preocupados em discutir o modo de sair desta dificuldade com os menores custos possíveis para cada cidadão. Por isso, volto a falar do Imposto Extraordinário sobre o Subsídio de Natal: a verba obtida do esforço dos Madeirenses deverá ficar na Madeira, cumprindo-se assim o legislado de que os impostos cobrados na Região a esta ficam consignados. Deste modo, nem os Madeirenses se queixariam das dívidas das empresas públicas sediadas no Continente, nem os continentais se queixariam de pagar o “enriquecimento” dos ilhéus.
            A cobrança deste imposto não será suficiente? Pois não, mas vêm aí aumentos do IVA, fim das deduções em sede de IRS e outras alcavalas, cujas receitas pertencem à Região.
            Não basta ainda? Então escolhamos todos um bom governo e criemos condições para que a Assembleia Legislativa da Madeira possa, de facto, fiscalizar planos, atos e contas do poder executivo.
            No primeiro dia da campanha, algumas centenas de pessoas mostraram indignação pela situação a que chegou a Madeira. Saúde-se a afirmação de cidadania, mas percebamos que é preciso mais alguma coisa. A 9 de Outubro, seremos todos responsáveis.
                                                                                                             in "Diário Cidade", de 27/9/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mas alguém se admira?

              De repente, parece que passou um furação pelo País e ficou tudo de cabelos em pé e boca aberta.
            Como se ninguém tivesse alertado ainda para o modo de gestão do bem público na Madeira, um coro de carpideiras colocou o negro véu e desatou em choradeira maluca, a propósito de dívidas ocultas do Governo Regional.
            Quem assistiu aos alvores da Autonomia, cedo percebeu que o termo serviria para muita politiquice e avultados rendimentos.
            Quem se recorda dos métodos que elevaram aos altares o boi doirado só poderia tomar uma das seguintes posições: aceitar o novo deus, por medo ou por interesse, ou então denunciar, acusar, revoltar-se e passar a engrossar a lista dos opositores, dos tontos, dos idiotas úteis, dos traidores, dos loucos, dos comunistas e comunas, dos socialistas e súcias. Agachar-se ou ser vilipendiado, era a questão.
            Existiram, porém, aqueles que nunca se vergaram, ainda que tivessem de suportar fardos ignominiosos. Esses denunciaram, ao longo de trinta e seis anos, a feia nudez do rei, mostrando contornos, manchas, nódoas, malfeitorias e corrupções. Não direi o nome dessas pessoas, chamá-los-ei homens.
            Não falarei dos seus opostos: dos que se sentam, dos que esperam, dos que aproveitam, dos que se associam, dos que adoram. No fundo, praticam o princípio da velha religião romana: “do ut des” (dou para que me dês).
            Desarmados, indefesos ante os interesses que se alteavam, os contestatários erguiam a voz. No meio do Atlântico gritavam às naus de passagem. Respondiam-lhes como se faz aos pobres de pedir: paciência, luta, esperança. Prometiam-lhes apoios, que rapidamente trocavam por palavras de circunstância e de apoio tácito ao deus-rei.
            Todos foram chamados a interferir, todos sabiam, todos encolheram os ombros e quem de direito não reagiu, porque a situação lhe servia, ou, porque, como diz o povo, “é bom ter amigos até no inferno”.
            À sombra deste altar profano, ergueram-se impérios e pequenos poderes, comendas e medalhas de latão. Ao serviço deste boi dourado se entregaram discursos, carreiras e vidas. Só faltou um verdadeiro poeta que o cantasse, apesar de alguns medíocres esganiçados terem tentado erguer a voz tremelicante na horinha sem vergonha. Agora, após trinta e seis anos, só restam as carpideiras de negro véu.

                                                                                                                                  in Diário Cidade, de 20/7/11

           

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O enviado de César

Tullius Venenus ou Tullius Detritus é uma fantástica personagem da celebérrima banda desenhada “Asterix”, da autoria de René Goscinny e Albert Uderzo.
No álbum “Zaragata”, Tullius Venenus, que é um verdadeiro mestre da discórdia, atirado para a arena, para ser comido pelos leões, consegue escapar, ao conseguir que os leões se comam uns aos outros.
Entretanto, tinha sido enviado por César para a Gália, para estabelecer a discórdia entre os Gauleses, tentando quebrar a forte união deste povo na luta contra os poderosos Romanos.
Tullius Venenus conseguiu quebrar a unidade gaulesa através da sua guerra psicológica, feita de palavra fácil e enganosa, até que a astúcia de Asterix o desmascarou.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Encruzilhada

              Sempre gostei de encarar a vida com a imagem da encruzilhada. Como não acredito no destino, entendo que o homem se afirma e realiza de acordo com o seu livre-arbítrio: escolhe o caminho por onde deslocar o seu corpo mais os seus sonhos.
            Desconfio dos que apontam o caminho único, em frente, com ar de implacável determinação. Escondem publicamente os desenganos, os erros, os truques e as taras que derramam perante os confessores.
            O homem livre arrisca permanentemente. Por vezes falha, outras não, diante da cruz projetada no chão.
            Dificilmente nos encontramos perante uma encruzilhada de escolha tão difícil, como nestes tempos: no Mundo, na Europa, no País, na nossa terra.
            Nas próximas eleições, os madeirenses e porto-santenses arriscarão mais uma vez o caminho a trilhar. Será uma escolha difícil para muita gente, principalmente para quem se habituou à estabilidade do voto sempre na mesma cor. Na cruz de caminho, os insatisfeitos ou desiludidos escolherão a via da abstenção ou do voto nulo ou a via do pequeno partido de protesto, mais à esquerda, ou mais à direita. Estes eleitores nada decidem, porque haverá sempre quem ocupe o espaço das decisões.
Restam o partido do poder, com os mesmos defeitos e as virtudes (leia-se “o que é bom” para o eleitor que quer defender “o seu determinado interesse”) a se desmoronarem, ou, como alternativa, o partido líder da oposição, a mostrar vontade em assumir finalmente a governação, com uma coleção de figuras e um conjunto de ideias a serem difundidas por uma comunicação social que até agora se mostrara simpática para com o poder, apesar das aparências.
Nesta encruzilhada se encontram os Madeirenses, muitos dos quais têm trocado as hipóteses de um futuro equilibrado para si e para os seus descendentes por satisfações e folguedos presentes, ainda que hipotecando o porvir. Entendo porém que nada disto é caraterístico apenas dos meus conterrâneos, nestes dias.
Espaço humano, os partidos políticos vivem as mesmas incertezas. O Partido Socialista renovou a liderança, a nível nacional, sem que tenha mudado grande coisa quanto à organização, ainda que a ideia de um “código de ética” para os responsáveis por cargos públicos me pareça uma medida a saudar.
No âmbito regional, este código de ética faz pleno sentido e será uma garantia de que os socialistas não ocuparão o poder para cometerem os mesmos pecados que criticam enquanto oposição. Alguns passos já foram dados neste sentido quando os candidatos a deputados em Outubro assinaram um termo de honra, exigido pela Comissão Política, de que os que se encontram a receber reformas ou pensões as suspenderão enquanto ganharem como deputados. Espero que todos eles estejam também em condições de lutar, sem “rabos de palha”, para que a Assembleia Legislativa da Madeira impeça claramente que os deputados, governantes ou seus familiares próximos com negócios e interesses empresariais possam beneficiar, enquanto detentores de cargos públicos e num período de cinco anos após cessar funções, de legislação aprovada no Parlamento ou no Governo.
O Partido Socialista será reconhecido pelos eleitores quando garantir, sem dúvidas, que os seus responsáveis e os seus eleitos entendem a política como serviço público. No fundo, trata-se de escolher um caminho, nas encruzilhadas da vida.
                                                                                          in "Diário Cidade" de 13/9/2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rui Oliveira

O Diário de Notícias publicou hoje a informação de que o "PS indica gestor de topo para secretário da Saúde", afirmando que este é mais um nome conhecido em círculos "fechados".
Em primeiro lugar, se o círculo fosse fechado, o "Diário" não saberia.
Segundo, o "Diário" está a divulgar um possível secretário por dia, segundo uma estratégia bem definida.
Terceiro, quem informou o "Diário" sabe bem e não disse que Rui Oliveira é militante socialista.
Quarto, quem informou o "Diário" sabe bem e não disse que Rui Oliveira foi membro do Secretariado da direcção presidida por João Carlos Gouveia.
Quinto, o "Diário", que agora elabora um currículo bem preenchido do Rui Oliveira, sempre menosprezou a direcção de João Carlos Gouveia. Mudam-se os tempos... ainda bem.
Sexto, Rui Oliveira é um socialista de extrema qualidade profissional e humana. Fico feliz por ser reconhecido.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nada que já não se saiba

             Hoje nada direi que já não se saiba.
            O Governo da República, da coligação PSD/CDS perdeu o seu estado de graça. Quem se recorde dos repetidos ataques que estes dois partidos desferiram contra a governação socialista de José Sócrates percebe que temos mais uma série de vendedores de ilusões no governo do País. Usaram a habitual estratégia de vociferar contra o aperto que os Portugueses sofriam e prometeram que não aumentariam impostos, mas o resultado foi o ultramoderno caminho do vocábulo “jamais”: engoliram as palavras, fizeram tudo ao contrário. Antes da criminalização do enriquecimento ilícito, cortam no subsídio de férias; antes da taxação sobre o álcool, o tabaco ou produtos de luxo, aumentaram transportes, gás e eletricidade; antes do ataque à corrupção ou às negociatas promovem o fim das deduções à saúde, à educação e à habitação, no IRS.
            O Governo Regional da Madeira, do PSD sozinho, entrou em estado de desgraça. Moldado para a eternização no Poder, o PSD-Madeira governou sempre com o principal objetivo de ganhar maiorias absolutas, para que o parlamento regional nunca possa assumir o fundamental papel de acompanhamento e fiscalização adequada das decisões governativas. O PSD-Madeira sempre decidiu sobre os destinos da Madeira a bel-prazer, sem aceitar confrontos, sem respeitar oposições, como se o voto maioritário, que sempre soube conquistar – ao preço que todos sabemos -, outorgasse aos seus militantes um excelso conhecimento e uma superior qualidade sobre os simples mortais a militarem nos restantes partidos. Governar sem respeitar o passado nem precaver o futuro mostrou a voracidade gulosa em comer tudo o que o presente pôde oferecer. Aos avisos, os governantes do PSD responderam repetidamente com desdém. Os oponentes foram tratados como inimigos, não inimigos do Governo, não inimigos do PSD, mas como inimigos da Madeira, como se a Madeira e o PSD fossem uma única realidade. Nada mais errado. Nada que já não se saiba.
            Agora que o PSD está no governo da Região mas também na governação do País, o Presidente do Governo Regional já não pode fazer o chinfrim do costume para que lhe mandem o dinheiro para pagar o que garantiu o rol das vitórias eleitorais que gosta de apregoar e bom proveito lhe faça. Pede por carta, de mansinho. O outro lado dará resposta depois das eleições de Outubro, traiçoeiramente, como fez com os impostos. Nada que já não se saiba.
            O CDS é parceiro na traição: fazendo parte da coligação no poder do País, sabe de tudo o que se passa e do mais que virá, mas joga nos dois tabuleiros, fingindo aqui que não é de lá, no fundo um jogo político bem conhecido, nada que já não se saiba, mesmo que os senhores de lá se reúnam todos por estas bandas, todos de mãos dadas, em jogo de roda.
                                                                                                               in "Diário Cidade", de 6/9/2011