terça-feira, 28 de junho de 2011

Círculo vicioso


            Jacinto Serrão cedeu. Nem foram precisas mil espadas a cercá-lo. Cedeu diante dos conspiradores do costume, que não precisaram de inventar processos novos. Nada de trágico se passou, apenas uma pobre comédia com final previsível, sem heróis.
            Maximiano Martins assumiu de imediato um papel dúbio mas imperativo. Já definiu o perfil para os ocupantes da tal lista que eu referira há semanas: devem ter mérito e competência. Teoricamente estas qualidades são requeridas para os que ocupam lugares importantes, logo nada a opor. O que se questiona, para já, é a falta de humildade de alguém que, ocupando o primeiro lugar da lista, se apresenta como o mais meritório e capaz.
            Não estamos a falar de competências nem méritos profissionais, que não estão em causa, mas dos mesmos atributos em política. E aqui pode questionar-se os méritos e competências políticas de cada um. Desde logo, e quando se aponta o dedo acusador às derrotas eleitorais de Jacinto Serrão, podemos perguntar quantas vitórias possui Maximiano Martins nos seus combates eleitorais, sejam internos ou externos?
Alguém pode apontar uma vitoriazinha que seja?
            Impressiona o modo como Jacinto Serrão se deixa diminuir neste processo: desde logo fazem passar a ideia de que ele não era competente nem possuía mérito para liderar a lista à Assembleia Legislativa da Madeira, quando podia atirar à cara dos conjurados alguns dos melhores resultados que o PS já conseguiu e o contributo de alguns deles para os dias piores.
            Passado esse primeiro momento negativo da irrupção de Maximiano Martins, e enquanto se ia aguardando pelos outros nove competentíssimos nomes, eis que, embalado pela imprensa e pelo entusiasmo, não se contenta em delimitar a lista como assume também o papel de novo líder, porque de outro modo não se entende a sua intenção de querer estabelecer (novamente) contactos com todos os partidos da oposição parlamentar.
            Todos se recordam como a Plataforma (Democrática) se transformou em Unidade na Acção antes de se afundar silenciosamente. Maximiano Martins volta a querer reavivar este nado-morto da política regional?
            O cabeça-de-lista do PS já definiu como objetivo retirar a maioria absoluta ao PSD e deu um sinal ao eleitorado de que não acredita na sua vitória, de que o PS não é alternativa. De facto, como poderão os eleitores, num momento tão decisivo e crítico, no que concerne à economia, considerar credível um partido que tanto poderá encontrar como parceiro o Partido Comunista ou o PND?
            Se o combate político que o PS-Madeira propõe é nos campos financeiro e económico, como se pode continuar a falar de uma frente anti-PSD?
              Com tanta competência, nada de novo. Volta-se ao círculo vicioso

                                                                                           in "Diário Cidade", 28/6/11

sábado, 25 de junho de 2011

Vencer a mediocridade ascendente

Francisco Assis representa o renascimento do PS como partido próximo dos cidadãos comuns, tal como prenuncia a sua ideia de primárias abertas para os cargos públicos. A sua candidatura consagra também a cultura, o conhecimento, o primado da Política sobre a mediocridade ascendente na política profissional, sempre à espera das oportunidades nas arestas do silêncio

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Apoio a Francisco Assis

Tal como tinha sinalizado no passado dia 22, decidi dar o meu apoio incondicional à candidatura de Francisco Assis à liderança do Partido Socialista.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Entrada com o pé esquerdo

Rui Caetano assumiu o seu lugar de deputado na Assembleia da República, em substituição de Jacinto Serrão.
Começou mal, porém, quando comentou a eleição da Presidente da Assembleia da República.
Afirmou que a não eleição de Guilherme Silva foi uma má decisão para a Madeira, mas não soube explicar porquê, aliás era-lhe muito difícil. Em que ficaria a Madeira (seria melhor dizer: os Madeirenses) beneficiada com a eleição de Guilherme Silva?
Amarrado ao seu discurso de defender a Madeira e os Madeirenses acima de tudo, Rui Caetano corre o risco de se submeter a um discurso unívoco, como se os partidos não defendessem ideias e grupos sociais distintos.
Na ideia de defender os Madeirenses inclui-se por igual o pescador José Teixeira, o taxista João Freitas, o empresário Dionísio Pestana e o político Guilherme Silva? E defendê-los de quem? 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Francisco Assis e as primárias


João Carlos Gouveia há catorze anos (repito: catorze anos) lançou, aquando da sua primeira candidatura à liderança do PS-Madeira, quatro propostas para melhorar a democraticidade no interior do partido:
- eleição directa do Presidente;
- fim das inerências para os congressistas;
- limitação de mandatos;
- primárias para escolha de candidatos aos cargos públicos.
Na altura, a maioria dos militantes considerou as propostas descabidas. A Comunicação Social, sempre pronta a acusar os partidos de se afastarem dos cidadãos e de fomentarem a partidocracia, também desvalorizou as propostas do grupo a que se denominou Novo PS.
Entretanto, Carlos César falou da limitação de mandatos e Santana Lopes defendeu a eleição directa dos líderes partidários. Como eram essas figuras, toda a gente achou boas ideias e, entretanto, ma Madeira as duas primeiras propostas de João Carlos Gouveia foram aceites pelo PS.
Quanto à limitação de mandatos, o País já aprovou no que respeita aos autarcas, esquecendo-se de fazer o mesmo em relação aos deputados e, sobretudo, esquecendo-se de aplicar a limitação no interior dos partidos.
Em relação às primárias, Francisco Assis, candidato à liderança do PS, veio agora propor o mesmo que João Carlos Gouveia em tempos. Preparem-se para ver a reacção de certos militantes e da Comunicação Social!
Ainda não decidi o meu apoio partidário, até porque Francisco Assis esteve demasiado próximo de Sócrates e da sua política de empobrecimento do País, mas começo a inclinar-me para alguém que defende uma aproximação entre os partidos e os cidadãos como sempre desejei.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Praxes universitárias

Os alunos do 12º Ano começaram os seus exames. Em setembro, muitos ingressarão nas diversas universidades espalhadas pelo País.
Quase todos partirão para os seus percursos universitários com as expetativas reduzidas quanto ao seu futuro profissional, mas ainda assim esperançados em que, daqui a alguns anos, a crise económica se tenha esbatido e eles próprios possam contribuir para o renascimento económico português.
Encontrarão, no entanto, as universidades envolvidas em ambientes que são reflexo da desmoralização e do a-criticismo dominantes.
Os pais assumirão despesas anuais, mas na prática o período escolar fica reduzido a metade de um ano. No primeiro semestre as aulas começarão realmente no início de Novembro. Até lá os alunos estarão envolvidos nas praxes universitárias, forma que as associações estudantis encontraram para realizar uma pretensa integração académica.
As praxes representam, para além de um desperdício inaceitável, um ritual de submissão hierárquica dos chamados “caloiros”, que se sujeitam aos mais vis vexames, enquanto vão gritando, mesmo que a contragosto, a aceitação do seu estatuto de escravo perante um auto-nomeado senhor, seja qual for o nome que a associação académica atribua a estes indivíduos.
Nem por eufemismo se poderá entender por integração os alunos serem obrigados a se auto-nomearem com as obscenidades mais degradantes, a se apelidarem de animais, a se curvarem durante horas, enquanto se passeiam pelas ruas de uma cidade com o nariz tocando no rabo de um colega. Como poderá ser entendida por integração a bebedeira até ao coma alcoólico que muitos jovens são obrigados a tomar? Não será melhor entender isto como desintegração de si próprio?
Na prática, a praxe procura ilustrar uma relação anacrónica que os futuros “doutores” teriam com a restante sociedade: exerceriam o poder económico e político perante os que, não tendo acesso a esse mundo “superior”, cumprirão na vida o estatuto de escravos submissos.
Esse mundo acabou. Hoje o curso universitário não corresponde ao “canudo” da passagem para a classe privilegiada, no entanto, nas universidades continua-se a brincar aos poderes medievais.
As praxes, uma expressão de poder fascista, são a mais crua demonstração da infantilidade e da mediocridade em que está envolvido o ensino em Portugal.
Nos restantes países europeus, nas universidades trabalha-se, estuda-se, investiga-se, cria-se. Em Portugal, se na escola secundárias se brinca, na universidade faz-se farra.
Em outubro o álcool tomará conta da “latada” ou outra carunchada qualquer e em maio haverá a Queima das Fitas, a bebedeira final.
                                                                                               in "Diário Cidade", de 21/6/11

Depois de PODE SER LIBERDADE

O blogue PODE SER LIBERDADE encerrou a 12 de Junho de 2009, com uma análise a propósito dos resultados eleitorais do PS-Madeira nas eleições europeias. 
Alguns comentários levaram-me a abandonar o projecto, movido pela situação de ser, à época, Secretário Geral do PS-M e esse cargo me impedir de dizer tudo o que pensava sobre a postura de certas pessoas. Parafraseando Camus, a liberdade implica mais deveres que direitos.
Hoje, porém, passados pouco mais de dois anos, e movido, quiçá, por este brilhante solstício, decidi-me a retomar a intervenção escrita, sem ter de esperar pela coluna semanal do "Diário Cidade" que me cede um espaço às terças feiras.