Perante
a perspectiva de um debate organizado em que o professor seria o
mediador, os alunos de onze/doze anos escolheram o tema da crise,
quem sabe se atraídos pelas exaustivas discussões nos canais televisivos ou por sentirem no seu quotidiano a frieza do vocábulo.
Debateram o
tema a partir dos efeitos da crise económica na vida concreta, para
se concentrarem depois nas propostas para a superação destes tempos
difíceis.
Todos
possuem consciência de que vivem momentos de dificuldades
desconhecidas até há relativamente pouco tempo. O professor
descobriu, pela linguagem utilizada, que a crise é tema recorrente
nos lares dos seus alunos, onde se discute muito as suas causas.
Embora exista uma confusão, habitual igualmente entre os adultos,
entre governantes e políticos em geral, as crianças apontaram o
desperdício como causa fundamental da penúria do Estado: o luxo dos
gabinetes e a frota de carros de luxo foram as principais razões
apontadas.
Para
ultrapassarem as dificuldades e principalmente para evitarem crises
futuras, quase todos falaram da necessidade de poupança, a qual,
segundo alguns, deve começar por eles mesmos, guardando sempre algum
dinheiro do que recebem dos parentes. Criticaram os maus exemplos das
crianças que tudo exigem, sob a ameaça de birras, e aquelas que
pedem constantemente jogos novos para rapidamente se fartarem, quando
ainda não testaram todas as possibilidades dos jogos que possuem.
Alguns
jovens passaram para um plano mais geral e falaram da necessidade de
o País utilizar veículos com energias alternativas ao petróleo,
para diminuir as exportações, e apontaram a aposta no transporte
colectivo em detrimento dos automóveis individuais e até o uso
privilegiado da bicicleta.
As crianças
preparam-se para um mundo diferente, com muita sabedoria, mesmo
aquela que criticou os que desperdiçam água, quando lavam as mãos
ou os dentes com a água correndo abundantemente. Disse-o como Isabel
Jonet, com sensatez. As outras crianças entenderam-na. Quanto a
muitos adultos, continuarão a acusar outros, sempre os outros.
in Diário Cidade de 4/12/12
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