quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A crise vista pelas crianças



Perante a perspectiva de um debate organizado em que o professor seria o mediador, os alunos de onze/doze anos escolheram o tema da crise, quem sabe se atraídos pelas exaustivas discussões nos canais televisivos ou por sentirem no seu quotidiano a frieza do vocábulo.
Debateram o tema a partir dos efeitos da crise económica na vida concreta, para se concentrarem depois nas propostas para a superação destes tempos difíceis.
Todos possuem consciência de que vivem momentos de dificuldades desconhecidas até há relativamente pouco tempo. O professor descobriu, pela linguagem utilizada, que a crise é tema recorrente nos lares dos seus alunos, onde se discute muito as suas causas. Embora exista uma confusão, habitual igualmente entre os adultos, entre governantes e políticos em geral, as crianças apontaram o desperdício como causa fundamental da penúria do Estado: o luxo dos gabinetes e a frota de carros de luxo foram as principais razões apontadas.
Para ultrapassarem as dificuldades e principalmente para evitarem crises futuras, quase todos falaram da necessidade de poupança, a qual, segundo alguns, deve começar por eles mesmos, guardando sempre algum dinheiro do que recebem dos parentes. Criticaram os maus exemplos das crianças que tudo exigem, sob a ameaça de birras, e aquelas que pedem constantemente jogos novos para rapidamente se fartarem, quando ainda não testaram todas as possibilidades dos jogos que possuem.
Alguns jovens passaram para um plano mais geral e falaram da necessidade de o País utilizar veículos com energias alternativas ao petróleo, para diminuir as exportações, e apontaram a aposta no transporte colectivo em detrimento dos automóveis individuais e até o uso privilegiado da bicicleta.
As crianças preparam-se para um mundo diferente, com muita sabedoria, mesmo aquela que criticou os que desperdiçam água, quando lavam as mãos ou os dentes com a água correndo abundantemente. Disse-o como Isabel Jonet, com sensatez. As outras crianças entenderam-na. Quanto a muitos adultos, continuarão a acusar outros, sempre os outros.
                                                                     in Diário Cidade de 4/12/12

Sem comentários:

Enviar um comentário