Conhecendo, pela Comunicação Social,
o que se passou com o Presidente do Governo Regional no Porto da Cruz, recordei-me
dos versos de Bertolt Brecht: “Do rio que tudo arrasta/ diz-se que é violento/
mas ninguém chama violentas/ às margens que o comprimem”.
Ainda que
Brecht tenha apontado para a violência dos desesperados, nenhum democrata se
poderá congratular com actos de grande ou pequena violência, como se vivêssemos
em plena “lei da selva”, onde cada um possa fazer justiça pelas suas próprias
mãos.
Apesar de eu
já ter lido textos em que Jardim chama de “súcias” aos socialistas e de o ter
ouvido dizer que “os tipos do PS dão uma imagem péssima da Madeira” e afirmar
em comício que quando os populares virem “gente do PS” poderiam dizer “vai ali
um traidor”; de ouvi-lo chamar “bastardos da comunicação social para não lhes
chamar f… da p… “, e de que, com ele “quem tem de comer come”, em alarde de
linguagem a cheirar a pólvora, reprovo qualquer acto de violência contra o
Presidente do Governo Regional como contra qualquer cidadão.
Lamento que
alguns funcionários políticos testemunhem publicamente a sua satisfação envolta
em sarcasmo de pseudo-superioridade moral. E se procurassem derrotá-lo pela via
eleitoral?
in "Diário Cidade" de 4/9/12
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