O grupo parlamentar do PS na
Assembleia Legislativa da Madeira parece mais reduzido do que efectivamente é,
entregue quase completamente à dupla Carlos Pereira/Victor Freitas.
Este
apagamento dos restantes quatro deputados pode induzir os cidadãos a imaginarem
um grupo mais pequeno que o próprio PTP e considero uma má estratégia que o
deputado Avelino da Conceição não ganhe relevo, tendo em conta que representa
um concelho tão importante como Machico; que Luísa Mendonça não levante mais
vezes a voz em defesa do Porto Santo; que Carina Ferro, eleita como
representante da JS, não seja mais interveniente em nome de uma juventude com
problemas gravíssimos à conta de décadas de políticas erradas das gerações
anteriores. Quanto a Maximiano Martins, presumo que a sua situação se deva ao
facto de ostentar conhecimentos na mesma área em que se move o líder do grupo
parlamentar, Carlos Pereira: a economia.
Um
grupo parlamentar eficaz e credível poderia catapultar o PS para uma posição
alternativa face a uma governação regional que perde popularidade e crédito em
função das crescentes dificuldades económicas dos cidadãos, que começam a
imputar às governações o descalabro em que se vêem mergulhados. Esses cidadãos
não acreditarão no PS, porém, se o encontrarem sobretudo empenhado em guerrear
o CDS para voltar a ser o maior partido da oposição regional ou em fazer política de títulos para os
jornais, colecionando “bocas” de efeito duvidoso, como tratar de “casa dos
segredos” um lugar a quem já tinham apelidado antes de “casa dos horrores”.
O
frenesi do líder parlamentar socialista leva-o agora a considerar "vergonhoso" que a Assembleia Legislativa da
Madeira continue encerrada, quando a Região atravessa momentos muitos difíceis,
como se fosse a reabertura da Assembleia que poderia resolver algum dos graves
problemas dos Madeirenses, a mesma Assembleia que Carlos Pereira disse, em
Novembro de 2011, “que é um órgão de fantasia de uma
democracia doente” e que “ao estarmos cá, toda a oposição, contribuímos para
branquear esta ALRAM que, como sabemos, não corresponde às
exigências democráticas mínimas”.
Não é “mandando bocas” para fabricar
títulos jornalísticos que o PS-Madeira se pode tornar alternativa na Região.
Afinal se a ALRAM é um órgão de fantasia, porque se dramatiza com as suas
longas férias? Como pode uma instituição que Carlos Pereira acusa de não
corresponder às exigências democráticas resolver os problemas do povo?
in "Diário Cidade", de 25/9/12