Pelas razões já apresentadas anteriormente nestas colunas
(relacionadas com a minha discordância pela realização do evento em ano de uma
forte crise económica a que se juntou a desgraça dos incêndios), não fui à
Festa da Liberdade, na Fonte do Bispo.
As fotos e
os vídeos disponibilizados pelo PS, via facebook, sem a preocupação,
manifestada por alguns jornais, de redução de plano para aparentar muita gente
frente ao palco, mostram, para além da fraca afluência de pessoas, uma triste
falta de entusiasmo face aos discursos políticos e no momento da chegada de
António José Seguro ao local da festa. Alguns jornalistas presentes reforçaram
esta opinião sobre a falta de entusiasmo desta festa.
Os
dirigentes partidários necessitam de reflectir sobre a utilidade destas festas,
num momento em que as pessoas atribuem à falta de qualidade dos políticos
muitas das causas das tremendas dificuldades que atravessam e estas festas não
credibilizam ninguém.
Que ficou
desta festa? Um enorme vácuo. Seguro veio à Madeira, acompanhado pelos
responsáveis pela sua imagem, fazer um discurso para a comunicação social
nacional, a propósito da RTP, mas só depois o PS fará a “reentré” política,
como se a Fonte do Bispo não valesse nada, do ponto de vista partidário.
A novidade discursiva
esteve apenas presente no momento em que Vítor Freitas, emendando a opinião do
seu líder parlamentar, apelou à presença dos “homens bons” nas listas socialistas para as autárquicas, reconhecendo
que a política não pode ser entregue apenas aos homens dos partidos. A ideia,
porém, não é nova e costuma ser mais usada em regimes não democráticos, onde os
“homens bons” só têm uma alternativa face à maldade intrínseca dos poderosos.
No Chão da
Lagoa também se apelará aos “homens bons”, agora com o nome de “verdadeiros
madeirenses” ou “autonomistas”. No fundo, será mais uma festa, com discursos
inflamados para a comunicação social do Continente, com muito álcool, menos
gente e menos entusiasmo. Não é já tempo de se acabar com estes espectáculos
pagos pelos cidadãos em crise real?
in "Diário Cidade", de 28/8/2012