Trinta e oito anos é tempo suficiente para que um momento
revolucionário ou a data de instauração de um regime deixe de ser exaltado e
passe simplesmente à consideração histórica.
O ano
passado, referindo-me ao 25 de Abril de 1974, disse que, apesar das
dificuldades económicas e financeiras do País, não se devia questionar o
inestimável valor da liberdade reconquistada pelos Portugueses. Sigamos então
simplesmente o nosso caminho de homens livres.
Se
considerarmos qualquer revolução trinta e oito anos após a sua deflagração,
perceberemos que do seu entusiasmo e objetivos pouco terá restado
verdadeiramente vivo e que as próprias cinzas do fogo inicial estarão frias.
Nem um furacão despertará tais cinzas, as quais poderão servir apenas de
fertilizante para as terras onde forem disseminadas.
Sinto que é
anacrónico e improdutivo falar de necessidade de um novo 25 de Abril ou
quejandos. Isso é História (e uma história bonita, diacho!). Agora é outro
tempo, onde talvez seja altura de, inspirados pelo que se passa na Islândia e
motivados pelo desejo de uma sociedade mais justa, os Portugueses queiram uma
sociedade onde os governantes responsáveis por negligência e má gestão sejam
criminalizados, para que não sejam os cidadãos indefesos a pagar pelos jogos
partidários.
Isto de se
culpabilizar todos os votantes (e abstencionistas) pelos erros de governação de
cliques partidárias, que deslizam sobre alcatifas e se abafam em benefícios, é
conversa para entreter incautos.
Se às novas
correntes que exigem justiça se há de chamar justicialismo e não socialismo,
comunismo ou liberalismo, não sei. O povo quer é justiça.
in Diário Cidade, de 24/4/2012
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