terça-feira, 8 de novembro de 2011

(In)utilidade da Assembleia


A (in)utilidade da Assembleia

Publicado em 08 Novembro 2011 por Juan Andrade
Tomam posse hoje os deputados eleitos nas eleições regionais de Outubro, com novidades evidentes principalmente na Oposição, já que no partido do Poder a maior curiosidade radica no comportamento do chefe jota, cujos antecedentes, a acreditar nalguma comunicação social, não auguram nada de aceitável. O rapaz olhou para o exemplo máximo do seu partido e, pensando que os delfins estão a envelhecer pelo desgaste, apostou na cópia, esquecendo-se que as coisas não são assim tão simples. É preciso ganhar estatuto, para que os outros aceitem os desvios como fórmula própria de sucesso. Não é excêntrico quem quer, mas quem pode.
Na Oposição, o CDS, pelo crescimento acentuado do seu grupo parlamentar, apresenta muitas caras novas para um trabalho difícil, que é sobreviver a meio da ponte, com ventos cruzados, isto é, tem de convencer os eleitores que nada tem a ver com o governo da República, apesar da grande aproximação entre José Manuel Rodrigues e Paulo Portas.
Apesar de todas as críticas sobre a qualidade da lista, que, como de costume, partiram geralmente do interior, o grupo parlamentar do PS não apresenta grandes novidades, a não ser o deputado machiquense, vindo directamente do poder local, como o anterior, e a candidata proposta pela JS, a qual só poderá ser melhor que o jota laranja, ou será difícil?
O PTP, mais conhecido popularmente como o Partido do Coelho, é uma grande incógnita. Apesar da frescura que a menina Coelho aparenta levar ao parlamento, com um discurso a se demarcar da demagogia, o grupo é heterodoxo e necessita de José Manuel para brilhar e ganhar notoriedade, porque José Luís Rocha é um homem da esquerda tradicional: pouco exuberante, rigoroso e empenhado na luta de classes.
Que dizer da CDU? Nem uma vírgula mudará. É a CDU.
O PND só pode mudar, com a seriedade demonstrada pelo eleito e substituta: vai tornar-se num partido cinzento e tradicional, a léguas do escárnio?
O PAN é a maior novidade, não se aguardando porém muito da mistura entre franciscanismo, budismo e vegetarianismo.
Finalmente, o MPT surge como o partido com o fato mais adequado a esta legislatura, pela escassa utilidade da sua ação. Obviamente irá reivindicar mais Autonomia, num período em que o poder real se afastará da Região.
A política regional tem perdido importância nos últimos anos, sobrevivendo de uma agressividade excessiva e de uma espetacularidade artificiosa (plasmadas na moeda onde Jardim é a cara e Coelho a outra face). As pessoas sabem que, estando a Região sem meios financeiros, cada vez mais a vida dos Madeirenses é decidida em Lisboa e em Berlim.
Que restará a esta Assembleia, para que valha a pena? Que os deputados dignifiquem a Política e respeitem os eleitores; que o Regimento permita aos deputados da Oposição intervir com tempo adequado; que a Assembleia possa cumprir efectivamente a sua função fiscalizadora e que os governantes tenham a humildade para entender o Parlamento como a casa da Democracia. Se isto acontecer (o que não acredito), então as eleições de Outubro terão servido para alguma coisa.
                                                                                   in "Cidade.net"

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